Está tudo aqui ainda, sua risada.
Meu nome, meu apelido.
Sua voz.
Ecoa.
Como um frase gritada em um vazio.
Ecoa.
Não some.
Permanece.
Se prolonga.
Me alivia te ouvir.
Me dói ainda lembrar.
Fere mais ainda cogitar esquecer.
Como esqueci a dele.
Tenho dois amores que se foram.
Um só coração partido profundamente, por duas vezes.
Duas cicatrizes incuraveis.
Lembranças inapagáveis.
Pessoas insubstituiveis.
Dois cais destruidos pela vida.
Um barco sem rumo.
Dois galos feios, ganhos de pessoas lindas.
Pura ironia.
Justo galos que não tem empatia por mim.
Porcelana e tecido.
Pesado e leve.
Quebrável e rasgavel.
Não agradavel aos olhos, mas aceleram o coração.
Um amor que me carregou na garupa.
Um amor que me carregou no passageiro.
Um que adoçava os morangos.
Um que não colocava cebola nas panquecas.
Dois amores que me compravam doces.
Dois amores que me protegiam.
Dois amores que sorriram comigo por sete ou oito anos.
Dois amores que a vida me tirou de maneira cruel.
Duas ausencias não preenchidas.
Milhares de lágrimas caidas.
Noites mal dormidas.
Fins sem despedidas.
Ponto final sem conclusão.
Planos rasgados.
Vidas desperdiçadas.
Uma vida se vai por muitos erros e vicios.
Outra se vai por ausencia deles.
Vida injusta.
Vida ingrata.
Vida cruel.
Vida sem escolhas.
Vida e suas malditas surpresas.
É a vida nos fazendo sobreviver.
Sobreviver sem ele, e sem você.
Me tirando algo, pra depois tirar tudo de novo.
Me fazendo pedalar minha bicicleta sozinha, e dirigir por conta.
Me fazendo aceitar, e viver sem ele, e sem você.
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