Hoje eu só queria escrever uma poesia bonita pra você. Uma que disse-se que eu te entendo, que sei como você esta se sentindo, dizer que vai ficar tudo bem, que você vai superar e seguir. Mas eu não sei, eu não entendo, eu não faço a menor ideia do que é viver algo tão intenso, por tanto tempo, se moldar de acordo com isso, e então, não ter mais nada disso. Não faço ideia do tamanho estrago, ou se o vazio é preenchido um dia. Pois eu sou seu oposto, não me esforcei, não insisti, não me modifiquei, não me preenchi, não fui significante, não fiz parte, não por alguém, não por alguma pessoa. Por isso, eu só lhe dou meu silêncio hoje. Não tenho respostas para coisas que não vivi, que não entendo, que não senti. Portanto, me desculpe. É por te amar tanto que não quero lhe direcionar palavras. Não vou jogar essa imensidão toda do que sou, ou penso em você, afinal, não sou vazia. Sou tão imensa que tem tantas coisas em mim que transborda pra fora dos papeis, e quando percebo esta inundando o quintal como a geada faz com os gramados. Essa imensidão fria, como a geada. E você, é tão imenso quanto eu, você é como todo esse calor das manhãs e tardes de sol, uma imensidão que aquece a alma de noites e madrugadas de geada, uma imensidão que qualquer um amaria se acolher. Enquanto na minha imensidão, só os realmente fortes permanecem, pois é difícil e nada acolhedora. E esse é dos meus motivos de silêncio. Não, não é só minha falta de compreensão com tudo o que você está passando, é porque lá no fundo, eu sei que você não precisa. Lá fora está cheio de pessoas esperando por um lindo dia de sol, cheio de calor acolhedor, como você. Pois no fim, tudo se encaixa, tudo acaba sendo exatamente do jeito que merecíamos.