quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Tão... pouco

Tudo sempre foi tão barulhento.
Tão cheio;
Tão confuso;
Tão instavel;
Tão... Tanta coisa.
Que foi quando tudo virou silêncio.
Meu mundo se esvaziou;
Tudo ficou simples;
Tão estável;
Tão... Infimo.
Que eu me preenchi.
Me encontrei;
Percebi a felicidade na paz, no simples, no pouco onde apenas gestos bobos e repetidos do dia a dia, ecoam serenos.
Quando todos os dias me oferecem tudo o que eu precisava;
A tranquilidade de ser meu próprio lar.

domingo, 24 de novembro de 2024

se tudo der errado

Você disse que se tudo desse errado nós casariamos.
E tudo deu errado, você morreu.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

5 coisas que

     Me perguntaram quais as cinco coisas que eu mais gostava nele, eu não consegui uma resposta fácilmente. Tive que pensar muito pra encontrar duas e mais nada. Eu até tinha cinco provavelmente que eu ainda achava ser qualidades, mas com o tempo, com o amadurecimento, com tudo o que a vida ensina. Eu esqueci elas, não consigo mais ve-las nele.
    Seria ótimo pra mim perdoar, pra toda vez que eu estivesse perto dele não querer que ele fosse logo embora, não ser incomodo tudo o que ele fala ou responde, não ser esse constante juiz condenador mentalmente, de cada palavra ou ação dele. Queria ao menos sentir pena, dó, mas... não acho que vá acontecer situação alguma em que eu olhe pra ele e não ache que ele mereça.
    Existem escolhas, nós podemos sempre escolher. Depois de uma idade nossas escolhas são nossa consequência. Eu cresci sem ter muita escolha, afinal eu não escolhia na época. E independente disso, são minhas consequencias. Eu não conseguir esquecer e superar, é minha escolha.
    Espero que um dia, eu consiga pensar nas 5 coisas e me libertar da minha escolha.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Valor

 Quanto vale uma vida? Vale todo o dinheiro que você tem guardado pra algum plano futuro seu? Vale adiar tudo o que você com muito esforço planejou? Quanto tempo você tem? Tempo pra resgatar uma vida que pode se ir? Tempo pra juntar o dinheiro que você perdeu? Vale a pena ter dinheiro e perder um amor? Vale a pena ter dinheiro e perder sua humanidade? Vale a pena ser racional sempre? Vale apena não agir por amor? O que te ensinaram quando criança? A guardar dinheiro? Ou a ter amor? Não seria ótimo ter aprendido os dois e saber equilibra-los? Você sabe quando, que você descobre quem você realmente é? Quando se coloca numa balança os dois, e você observa qual lado pesa mais. É nesse momento que você percebe, não importa o que você aprendeu, o que realmente importa é o que você escolheu. Que adulto você se tornou? Rico e vazio? Ou completo, mesmo que com dificuldades. Uma vida, nem todo o dinheiro do mundo pode restaurar. O amor, o dinheiro não é capaz de comprar. Mas o dinheiro, enquanto você tiver a vida e um coração cheio de amor, você tem toda motivação pra poder juntar novamente. A criança que você era, teria orgulho do adulto que você se tornou?

domingo, 23 de junho de 2024

Balões coloridos

Meses, vai fazer meses que não sinto saudades de você.
Achei que precisaria dos tais sete anos, para minhas celulas se renovarem e eu lembrar menos.
Os motivos? Tempo será? Acho que tempo é o principal. Mas acho que auto realização teve muito a ver com isso.
Satisfação por  levar uma rasteira enorme da vida cambalear e não cair. Não cair significa que me tornei mais forte. Eu nunca imaginei que era possivel, ser mais forte do que era. É ótimo se superar.
Acreditar que eu merecia mais, que eu ainda iria colher o que plantei, me trouxe onde estou.
Me sinto em paz e satisfeita de ter chego aqui.
De repente, não quero mais me prender as minhas dores, quero superar e viver a nova eu pós perdas, após quedas, o resultado das lágrimas dolorosas de tantos dias.
Percebi o primeiro sinal de que eu estava bem, quando fiz aquela pintura horrorosa da estrada. Achei que pintar uma estrada me faria não lembrar de você quando estou dirigindo e mexo no cabelo "dirigir e mexer no cabelo não da certo" antes eu chorava ao lembrar, agora eu só gosto de lembrar, sem lágrimas. A pintura ficou horrivel, vou jogar no lixo.
O segundo sinal quando ouvi a musica que tocou no ano novo que você morreu e cantei, eu finalmente consegui cantar.
O terceiro, o choro cessou.

Sabe, naquela época eu pintei uma menina com balões na parede, meu sobrinho tinha 5 anos e chamou de "monstro", eu não achei ruim, afinal eu ilustrei dor ali, a dor da perda.
A menina não tem boca, nem olhos, o cabelo cobre parte do rosto. Porque ela não quer demonstrar nada. Bochechas coradas em formato circulo, igual a fantoches. Porque a vida nos faz de fantoche. Pés e mãos escurecidas. Por se perderem na escuridão. Uma das mãos segurando balões coloridos. Aqueles que ainda estão aqui. Outra mão estendida tentando alcançar balões escuros que voavam pra longe. Os que se foram. O vestido dela é azul, pois gosto de azul e se ela sou eu, ou, foi eu. Ela deveria estar de azul.
Tenho outra pintura dessas dolorosas, é uma menina de costas observando varios balões coloridos voando pelo céu. Ela não tenta segurar nenhum, só observa. Como se todo o colorido da vida estivesse indo embora e não tivesse nada que ela pudesse fazer.
São minhas favoritas. As duas meu sobrinho disse que eram monstros. Pra mim, são as mais bonitas. Me lembram o que senti naquele momento. O que superei.
As melhores pinturas, os melhores textos... Foram criados quando tudo doia. A vida é realmente cruel né? Eu crio só porcarias quando estou bem. 
Nesses momentos penso, será que vale a pena? Lembrar da dor pra criar algo pra se orgulhar?

terça-feira, 30 de abril de 2024

Qual o preço?

Qual o preço, para se tornar admirável? 

A que custo nos tornamos maduros?

O que nos fez empaticos?

Pelo que passamos, para que nos tornemos conselheiros?

O que vivemos para ser invejados, por sermos frios?

Qual foi o preço para se tornar forte?

Qual o motivo da sua independencia?

Por onde passamos? O que sentimos? Qual preço pagamos? Para sermos quem somos hoje...

Pensar nisso te dói? Te faz chorar? Te trás arrependimentos?

Tanta gente querendo ser e ter o que temos, sem querer trilhar o caminho que percorremos.

Dificilmente, algo incrivel vem de graça.


terça-feira, 26 de março de 2024

     Andei lendo alguns livros, em busca de um anestesico. Eles me disseram muitas coisas que doeram tanto e me identifiquei a ponto de ter que para de ler para conseguir respirar enquanto chorava desesperada como naqueles dias. Os dias que te perdi, que perdi ela. Que perdi quem eu era antes de perder vocês.
    Nunca tinha pensado nisso, mas quando li concordei. Quando perdemos alguém que amamos, perdemos quem eramos, pois perdemos a construção daquela vida e somos obrigados a construir uma nova. Eu fiz isso um ano seguido do outro.
    Eu mal havia iniciado minha reconstrução quando minha mais nova eu foi destruida de novo, e eu tive que reconstruir novamente. Posso dizer que fiquei dois anos em meio a destroços de mim. Tentei entender como eu reconstruiria tudo. Perdi a vontade de me reconstruir, me reanimei e então desisti.
    Me isolei, sai para rir e tentar viver. Descobri que só estava sobrevivendo. Perdi todas as minhas vontades, mas juro que as risadas com os que eu amo e estão aqui comigo ainda, foram honestas e espontaneas. Demorei para entender que a vida é feita de alguns momentos felizes, não tem como ser feliz o tempo todo. Assim como não é possivel aprender nada ser dor.
    Percebi apenas esse ano, que a dor é amor. Um amor que se foi, não tem como amar sem sentir dor. E Deus sabe o quanto eu amei vocês.
    Sou conhecida por ser fria e insencivel. Engraçado né? logo eu que ao perder alguém que amo sou capaz de me afundar num sofrimento tão intenso de desidratar os olhos de tanto chorar. Sabe quanto tempo demorei para resgatar minha fé? anos.
    Sabe o que pedi para Deus quando você morreu? nada. Não consegui pedir nada. Sabe o que pedi pra Deus antes dela morrer? não a leve por favor. Eu nunca implorei tanto, com tanto desespero e fé por algo. Nunca. Eu ajoelhei por dias e dias, chorei até os olhos doerem e não conseguir respirar. Implorei como se minha vida dependesse disso. Sem saber que realmente minha nova vida, que tinha pouco mais de um ano dependia disso.
    Então, eu morri pela segunda vez, aquela vida aos escombros que eu estava tentando construir após perder a vida que te incluia acabara de morrer também. E com ela, morreu minha fé.
    Existiram algumas coisas muito dificeis na minha nova vida, depois das minhas duas vidas mortas. A primeira delas foi lidar com a dor que o luto deixou e a segunda, foi me negar a ter fé quando cresci cheia dela.
    É difícil chorar sozinha sem ter fé, sem ter o seu ouvinte de sempre. Eu nunca fui do tipo religiosa de verdade, nunca gostei de igrejas, biblia, canticos. O que eu sempre gostei foi de estar em qualquer lugar e falar com Deus sobre qualquer coisa, falar com ele quando eu estava totalmente vulneravel, coisas que não conversaria com pessoas, apenas com ele que consegue sentir o que sinto. Eu não tinha costume de falar com ele para pedir coisas, eu apenas queria contar coisas. E por dois anos, eu me neguei a falar com ele, a citar ele, a chorar com ele. Eu sofri, como nunca sofri em toda a minha vida. E só Deus sabe como isso foi difícil, foi a minha segunda maior difículdade nesses anos.
    Quando eu aceitei, quando eu finalmente vi que tudo na vida tem um motivo. Que o que eu pedi, não era o melhor para mim, nem para ela. Foi ai que eu fiz as pazes com minha fé. Nem sempre o que quero é o melhor para mim. Então quando algo que não quero acontece, eu apenas acredito que tem um motivo para isso. Espero, sigo em frente e tenho fé.
    Existiram três momentos que falei com imensa dor e fé em toda minha vida. O primeiro, foi quando eu enfurecida decidi que odiava tudo, após meu primeiro luto. O segundo, foi quando implorei, como nunca antes na vida, pela vida dela, e então venho meu segundo luto. E o terceiro momento, o que me encontro atualmente ainda. É meu pedido frequente para parar de doer. Doer menos e menos, até não doer mais.
    Na primeira semana deste ano quebrei um espelho, dizem que dá sete anos de azar, eu preferi não acreditar nisso. Tive fé. Fui demitida antes do mês acabar, decidi acreditar que era para ser assim, e graças a isso eu alcançaria um outro objetivo. Tive fé. Fiz uma entrevista, o emprego não era o que eu precisava, recusei. Tive fé. Fiz uma entrevista menos de dois meses após minha demissão para uma vaga que é tudo o que preciso e além. Tive fé. Duas semanas depois me ligaram confirmar que fui aprovada.
    Uma das maiores lições que a dor infindavel, latejante e intensa do luto me ensinou foi o quanto a gente sofre e se lamenta por coisas miudas. Um espelho quebrado, uma demissão, uma injustiça, um pneu furado. São tão insignificantes para quem já conheceu o fundo do poço, o desespero, a desesperança, a dor sem fim, a perda irrestituivel de uma vida que se amava. É como se nada mais te abalasse, pois nada é tão grande quanto o que você passou e ainda não superou. Quase tudo na vida se concerta, se substitui, menos a vida.
    Só quem sabe o valor das lágrimas, entende que não devem ser desperdiçadas por poeira passageira.

terça-feira, 19 de março de 2024

Tatuagem

 Algum tempo atrás li, que as celulas do nosso corpo demoram sete anos pra se renovar. Sete o dia que você morreu. Sete que nunca mais será apenas sete.

Você é como uma tatuagem em mim. Ela fica ali imperceptível, mas presente. As vezes te vejo e dói. Doi pouco ou muito.

Parece que nunca passou tempo suficiente. Pra deixar pra trás. Para que o a dor passe. Eu queria tanto lembrar de você e sorrir. Pois você só me deu sorrisos. Mas eu só consigo chorar sem parar.

Será que daqui mais três anos quando minhas celulas se renovarem. Eu não vou lembrar de vc me dizendo que arrumar o cabelo e dirigir não combinam, toda vez que eu for prender ele enquanto dirijo.

Será que vou ouvir aquela música que tocou no ano novo que te perdi e não chorar naquela parte. Será que vou olhar pras coisas que compartilhamos e não sentir falta. Será que vou deixar alguém de fora entrar na minha vida de novo.

Será que alguém vai ser tudo o que você foi pra mim? Será que vou conseguir ser feliz de novo? Será que eu vou perder o meu medo insano de amar e ser machucada como você me machucou?

Será que um dia vou reaprender a deixar que façam as coisas por mim? Será que vou superar o medo da perda, do luto? 

Espero que você esteja bem, esteja em paz. Pois quem te amava e você deixou pra tras, não esta nada bem.

Soube que seja mãe não esta bem, e sabendo o amor que você tinha por ela, sua dedicação a ela. Isso me trouxe aqueles velhos sentimentos. Sentir que a vida não é justa. Ela é o que é, mas hoje ela me parece injusta.

Queria ter fé. Perdi ela, resgatei um pouco. Mas não sei mais como usar ela. Não consigo mais pedir nada, pras pessoas, pra vida, pra Deus. Não consigo ter fé que o pedir vá acontecer. Acho que sou apenas ouvida, não sei se vou ser atendida. Não tenho fé nisso.

Sinto falta de você, e da fé.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Dor

 O amor e a dor.

Guardar a dor no bolso pra oferecer amor.

Sua dor, não é minha dor.

Mas meu amor pode amenizar sua dor.

Minha dor, não é sua dor.

Nenhum amor pode amenizar minha dor.

Mas o único que podem curar a sua e a minha dor, é o tempo.

O seu tempo de cura é diferente do meu tempo de cura.

Minha dor não deve anular a dor de ninguém.

E ninguém pode usar sua dor, pra causar dor a outro alguém.

Só hoje eu sei.