Achei que precisaria dos tais sete anos, para minhas celulas se renovarem e eu lembrar menos.
Os motivos? Tempo será? Acho que tempo é o principal. Mas acho que auto realização teve muito a ver com isso.
Satisfação por levar uma rasteira enorme da vida cambalear e não cair. Não cair significa que me tornei mais forte. Eu nunca imaginei que era possivel, ser mais forte do que era. É ótimo se superar.
Acreditar que eu merecia mais, que eu ainda iria colher o que plantei, me trouxe onde estou.
Me sinto em paz e satisfeita de ter chego aqui.
De repente, não quero mais me prender as minhas dores, quero superar e viver a nova eu pós perdas, após quedas, o resultado das lágrimas dolorosas de tantos dias.
Percebi o primeiro sinal de que eu estava bem, quando fiz aquela pintura horrorosa da estrada. Achei que pintar uma estrada me faria não lembrar de você quando estou dirigindo e mexo no cabelo "dirigir e mexer no cabelo não da certo" antes eu chorava ao lembrar, agora eu só gosto de lembrar, sem lágrimas. A pintura ficou horrivel, vou jogar no lixo.
O segundo sinal quando ouvi a musica que tocou no ano novo que você morreu e cantei, eu finalmente consegui cantar.
O terceiro, o choro cessou.
Sabe, naquela época eu pintei uma menina com balões na parede, meu sobrinho tinha 5 anos e chamou de "monstro", eu não achei ruim, afinal eu ilustrei dor ali, a dor da perda.
A menina não tem boca, nem olhos, o cabelo cobre parte do rosto. Porque ela não quer demonstrar nada. Bochechas coradas em formato circulo, igual a fantoches. Porque a vida nos faz de fantoche. Pés e mãos escurecidas. Por se perderem na escuridão. Uma das mãos segurando balões coloridos. Aqueles que ainda estão aqui. Outra mão estendida tentando alcançar balões escuros que voavam pra longe. Os que se foram. O vestido dela é azul, pois gosto de azul e se ela sou eu, ou, foi eu. Ela deveria estar de azul.
Tenho outra pintura dessas dolorosas, é uma menina de costas observando varios balões coloridos voando pelo céu. Ela não tenta segurar nenhum, só observa. Como se todo o colorido da vida estivesse indo embora e não tivesse nada que ela pudesse fazer.
São minhas favoritas. As duas meu sobrinho disse que eram monstros. Pra mim, são as mais bonitas. Me lembram o que senti naquele momento. O que superei.
As melhores pinturas, os melhores textos... Foram criados quando tudo doia. A vida é realmente cruel né? Eu crio só porcarias quando estou bem.
Nesses momentos penso, será que vale a pena? Lembrar da dor pra criar algo pra se orgulhar?
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