sábado, 28 de março de 2015

domingo, 15 de março de 2015

Palavras afogadas

Malditas palavras.
Mal ditas.
Que doem mais que o contato do sal com uma ferida.
Que ferem mais que uma espada atravessada.
Malditas palavras.
Mal ditas.
Que não dizem o que queríamos.
Que nos afundam.
Há palavras que morrerão engasgadas em minha garganta.
E nunca serão ditas.
Para que não sejam mal ditas.
Essas malditas palavras.

Fugitiva

Talvez eu tenha medo.
De me apegar demais.
De gostar tanto a ponto de esquecer de mim.
De me perder, pra conseguir alguém.
Então fujo.
Sempre.
De tudo o que sinto.
Fujo de possiveis relacionamentos que o sentimento me cegue.
E me deixe incapacitada de dizer adeus.
Não quero permanecer em um relacionamento que já faleceu.
Por isso eu digo adeus com tanta facilidade.
Coloco um fim, em tudo o que mal começou, pois, eu sei que forçar algo que não deu certo é apenas me jogar em um poço sem luz, e sem saídas. É um passo pra que eu me prenda ao que não me fará bem.
E eu gosto de me sentir bem.
Se é algo que consigo sempre? É obvio que não, mas, quando acontece, e acreditem acontece, eu aproveito ao maximo.
Mas, eu não posso simplesmente me jogar em situações que não saberei como sair.
Sou uma covarde, a maior fugitiva desse sentimento chamado amor.
Pois, eu odeio ser prisioneira, e sei como esse sentimento pode te fazer uma prisioneira miserável.
Eu vi isso, a minha vida toda.
Então me chamem de covarde ou sem coração, como quiserem.
Prefiro isto, a esquecer de mim

Miseravel

Você me deixa miserável.
Como se eu precisasse me arrastar e implorar por uma migalha de você.
Como se nada mais pudesse me alimentar além de pedaços de você.
Suas palavras vagas, como cacos penetrando uma ferida.
Seu silencio, me deixa no chão. E eu me arrasto, me arrasto pra não te perder de vista.
Aceito apenas os restos de você, o que ninguém quer.
Me tornei miserável.
Você se divertiria se soubesse disso. Você iria rir?
A atração principal nesse seu show egoísta.
Mal consigo ver minha face.
A miséria roubou de mim.
Então me acabo aos poucos, com a ausência de você.
Caída aqui nesse chão frio.
O que mais você quer? Você já não jogou a gasolina? Então acenda o fosforo e me deixe queimar. Vai doer menos, do que viver nessa miséria.
Você não vê? Que já não existe mais eu? Só resta miséria.
É isso que você faz com as pessoas que se importam com você.
Assiste elas mendigarem da primeira fila, e então joga um fosforo e as vê queimar.
Eu queimei por você, pela ultima vez.

sábado, 7 de março de 2015

TÁ FODA VIVER!


 Fiz as contas e perdi todas elas sobre quantas vezes fui idiota nessa vida. Em contrapartida, na conta da felicidade eu até que vejo que a soma é sempre de muitas alegrias. E assim sou eu; uma eterna gangorra que dia sim está no alto e dia não no baixo. E assim somos nós. Eu contra eu mesmo, eu amando eu mesmo.

 Me dá impressão que se dá melhor quem é um filho da puta nesse mundo. Me questiono quando olho pra trás e penso: do que me adianta ser alguém do bem e não ser reconhecido como tal? Pois sim, nós queremos ser reconhecidos! Nós precisamos disso! É preciso elogiar as pessoas quando merecem, é preciso dizer às pessoas boas o quanto elas são.

 Coleciono tapinha nas costas sobre o quanto sou uma boa pessoa. Sou uma ótima pessoa para x e y, sou alguém para contar, sou alguém para desabafar. Sou tanto alguém mas não vejo ninguém sendo alguém pra mim. É uma cilada se enroscar no pensamento de: o que você faz pela vida x o que a vida faz por você. Ao mesmo tempo que entendo que é bobagem viver esperando a vida nos retribuir, QUERO VER ALGUÉM FALAR PRO MEU CORAÇÃO PRA ELE TER PACIÊNCIA! Eu não sou obrigado a aceitar todos os clichês dessa vida, e mais que isso, tenho o meu direito de EXPLODIR e não aguentar mais UM MONTE DE MERDA DESSA VIDA!

 Tenho o direito de gritar que TÁ FODA VIVER.

 Porque a vida é a maior das nossas expectativas. Absolutamente tudo o que fazemos nessa vida gera uma expectativa. Você só pega o controle remoto da TV porque sabe que ela vai ligar, mas, se isso não acontecer, você vai se frustrar. Você diz que gosta de alguém para esse alguém valorizar isso em você. Você se esforça no trabalho para que vejam o quanto você quer crescer. Este é um ciclo cruel e infindável. 

Quero que você entenda que pra mim é importante ter a sua resposta, CARALHO! Que entenda que prefiro MORRER do que só ter minha mensagem visualizada; que entenda que não precisa se forçar a fazer algo comigo DESDE QUE ME DIGA QUE NÃO QUER ao invés de alimentar uma esperança em mim; que entenda que eu vou CHORAR FEITO TROUXA se eu descobrir que o que deseja comigo é algo longe do que desejei para nós dois, antes de você me contar. E eu não quero saber do seu tapinha nas minhas costas para me dizer como sou uma boa pessoa.

 Nós sabemos exatamente quem somos. A falta de reconhecimento pelo que fazemos não nós faz ser menos o que somos. Ou seja, o fato de você não dar a mínima pelo que te faço, não me faz querer fazer menos por outro alguém. O negócio é que tenho o meu direito de ME ODIAR por isso pois, teoricamente, eu deveria aprender a ser menos eu, deveria aprender com o que já vivi para não errar no que vou viver, mas não: a parte de mim em que odeio é a mesma que eu amo. Eu AMO ser quem eu sou, porra! Eu nunca vou conseguir mudar isso em mim e falar o contrário seria mentir. Se absolutamente tudo o que fazemos nessa vida gera uma expectativa, o que fazer então?

 A expectativa é uma esperança que não morreu. E ninguém vive sem esperança. E esperança é onde podemos nos apegar nessa vida. Esperança em ter um salário melhor, uma boa pessoa ao lado e bons dias para viver. Este é o único motivo pelo qual levantamos todos os dias. É um mantra que deveríamos repetir a cada amanhecer: “tudo vai ficar bem!”, “tudo vai ficar bem!”, “tudo vai ficar bem!”. Nós acordamos para vencer o mundo lá fora. Um novo dia é uma nova chance. Isso é esperança! Acordamos esperando ter a mensagem finalmente respondida, ter uma palavra boa dita. Ainda que não tenhamos novos motivos para acordar, acordamos todos os dias esperançosos que os velhos motivos se tornarão novos para comemorar.

 - MÁRCIO RODRIGUES