Isso depende de tantas coisas não é? O quanto estamos dispostos a mostrar, a contar, a deixar alguém se adentrar, a confiar... É bem mais fácil parecer raso. O profundo necessita de muito, muito dialogo, muitos momentos, muita compreensão, muita confiança... É tão mais difícil.
Ontem li em um livro sobre a casa mal assombrada de cada um, o lugar do seu trauma que você não quer visitar, não quer compartilhar, mas que te acompanha pro resto da vida. O que cada um faz com sua casa mal assombrada, finje que não existe, encara ela e tenta superar, adentra ela e busca algo bom pra levar dali.
Nenhuma casa mal assombrada é igual, as pessoas lidam com suas casas mal assombradas de maneira diferente.
Escolhi colocar a minha a venda esse ano, e colocar meu fantasma dela numa caixa a uma longa e segura distancia, me comunicar por latinhas com fio de maneira que se eu ouvir um som desagradavel vindo do fantasma eu apenas ignore a latinha, pois eu não moro mais na casa mal assombrada, nem com o fantasma, nem com os dois prisioneiros que o fantasma mantinha comigo.
Eu tenho construido essa casa colorida e tranquila só pra mim. Sem obrigações, sem regras, sem medo, sem gritos, sem choros, sem desespero. Totalmente diferente, aqui se algo se quebrar eu não me importo, aqui se algo não sair como deveria não tem problema, aqui se eu não quiser fazer nada eu não faço, aqui eu posso fazer tudo a minha maneira, aqui os habitantes não ligam pro que era importante lá, aqui nos divertimos, aqui mesmo quando há brigas bobas nos resolvemos, aqui há compreensão da parte de quem lidera a casa, aqui ha paz e risos em quase todo o tempo, aqui não tenho que me privar de nada pra proteger ou agradar alguém, aqui onde só há um ser humano e outros quatro seres, foi onde encontrei um lugar pra chamar de lar. Aqui nessa casa recém construida com cercas tortas, roidas tão imperfeitas. Exatamente como meu coração gosta. Nessa casa com uma plaquinha "não há vagas" onde o coração pode finalmente repousar.