terça-feira, 7 de novembro de 2017

Minhas melhores madrugadas

Tava pensando hoje sobre tudo. E quando pensei em tudo, um tudo que se resumiu apenas a esse ano, lembrei de você. Você e aquele seu sorriso malandro, aquela risada gostosa e aquela voz viciante. Você que nunca vai saber, mas caramba, como eu amei estar com você, como foram importantes aqueles dias com você. O primeiro dia que nos conhecemos, em que fui enganada por você implorando ajuda dizendo estar muito mal, e você não estava, eu fiquei furiosa, e você ria depois dizendo que lembrava como eu fiquei preocupada. Nunca imaginei, que todos os outros dias com você eram meus pedidos silênciosos porém verdadeiros por ajuda. Você aceitava todos, tirando os poucos que você adormecia antes do assunto ser finalizado, e eu brigava com você por isso, enquanto você me respondia calmamente que acabou dormindo por estar cansado. Sempre foi impossivel brigar com você, você era a calmaria após a tempestade. Eramos oposto em tudo, mas aquelas risadas combinadas, os papos sinceros e engraçados misturados aos monte de beijos, tiravam a relevancia da nossa grotesca diferença. Você sempre apressado, querendo algo diferente do que eu queria, e no fim, fazendo tudo exatamente como eu queria. Lembro como se fosse hoje, de você brigando comigo, ninguém nunca brigou comigo daquele jeito. Muito menos por tal motivo. Quem diria que você ficaria bravo por ser tratado como um qualquer, um rolo. Eu achando que eu que era isso pra você... Os pedidos de namoro, a insistencia em ficar, a constancia em me procurar... Eu fiquei assustada, não era acostumada com isso, a continuidade me fez surtar. Mas o que me fez acabar tudo mesmo, de verdade? Foi o medo. A possibilidade de eu te amar, de eu amar alguém pela primeira vez, era evidente. Te conhecer, e não te amar, são coisas impossiveis. Por isso, eu fugi. Por essa razão, eu acabei, o que nem haviamos começado. Foi culpa sua, me assustar com sua realidade,  uma realidade que eu não me senti capaz de te tirar, que me fez pensar, em como seria horrivel te perder de verdade, e me lembrou como sou fraca e não conseguiria seguir em frente. Foi aquele dia em que você  ficou birrento por eu me atrassar, pois não conseguia acender a luz do carro, que achei que você tinha voltado pra casa por isso, mas logo você bateu no vidro do carro, nesse mesmo dia você adormeceu me abraçando, e eu vi como você estava cansado e ainda sim quis me ver. Aquela madrugada em que você queria me beijar e eu mandei você parar e ouvir meu desabafo, você encostou a cabeça no banco e pediu que eu falasse, me ouviu, falou, riu, rimos, minha tristeza foi, eu chorei no seu ombro, você não viu, estava escuro. Conversamos do futuro, do passado, discutimos aquele momento, perdi meu tenis, você achou, o ar condicionado estragado do carro não desembaçou o vidro pra irmos embora, fiz drama, e você sem questionar limpou o vidro com sua jaqueta nova. Foi o dia que notei, como você sempre vinha me ver com suas melhores roupas, mesmo quando eu ia de pantufa e pijama. Mas o nosso fim, foi aquele dia, que você me fez se apaixonar mais por você. Escolhemos o filme, e você mentiu que não achou dublado como você queria, por isso veriamos legendado como eu queria. Você me abraçou, segurou uma das minhas mãos. E eu soube, que estavamos acabados. Eu nunca te disse a verdade, você é um distraido que não sabe como sou observadora, e como tudo aquilo me incomodou. Como o resultado das suas ações e escolhas me deixaram mal, preocupada e com medo. Não sou eu a garota que vai lutar contra tudo o que você é, contra suas escolhas ruins, não sou eu que vai aguentar as consequências delas. Pois eu sou fraca, só me faço de forte, então eu fugi, pra não te amar e consequentemente sofrer, por te perder para o resultado dos seus erros. Se você uma vez apenas, se enxergasse com meus olhos, e visse tudo de maravilhoso que eu via em você, tenho certeza que você mudaria. Que saudades do seu sorriso, da sua barba ridicula, das suas covinhas exageradas, do cheiro de shampo do seu cabelo ondulado, da sua voz viciante, das suas atitudes irritantes, do seu colar de pedra que constrasta tanto com sua pele morena, da sua incontrolavel mão, de você me contrariando em tudo, da sua altura que me obrigava a ficar na ponta dos pés, da sua calma, e do jeito que me olhava. As vezes quero voltar correndo pros seus braços, mesmo sabendo que deve estar envolvido em outros abraços, mas a realidade me atinge e eu me calo, me contenho e disfarço. Nessas horas me transfiro pro carro, desenhando e escrevendo no vidro embaçado, rindo e te beijando, sem ter ideia de que tudo de lindo que seu sorriso trazia, vinha com o dobro em tragédia.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Egoísta

Queria criar o nosso romance 
Mas…
Nós nunca seriamos um romance
Pois sou incapaz de ver alguém além de mim
Eu amo o romance, mas eu amo mais viver a vida a um
Eu nunca pensei em você
Eu nunca amei você
Eu só, não queria estar só naqueles dias
Eu só queria alguém que me fizesse rir
Eu só queria alguém para me abraçar ao dormir
Eu só queria um elogio
Eu só queria ter alguém para lembrar antes de dormir
Não precisava ser você esse alguém, qualquer um servia, mas era você que estava ali…
Eu só pensei em mim
Como sempre faço.
Desculpe por ter usado você para suprir meus dias egoístas
Mas era melhor ser você, que não se machuca fácil.
Você que é tão parecido comigo, e nunca vai perceber isso.
É uma pena que enjoei
De fingir saudades e sentimentos
De fingir que eramos nós naqueles dias, que eu só estava pensando em mim

sexta-feira, 30 de junho de 2017

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Se esvaindo

Estou acostumada, antes mesmo de cair o tombo já estou levantando e seguindo em frente.
Porém, te juro que não foi ingenuidade, eu realmente acreditei que iria dar certo, entre nós.
Vi simplicidade e fluidez, onde se mostrou nada mais que um amontoado de empecilhos e dificuldades. E eu estou tão farta disso.
Sempre soube que as coisas só são difíceis quando não queremos realmente. Quem quer vai atrás, insiste e consegue dar um jeito.
Mas meu amor, dessa vez não fui eu quem tive medo de se jogar sem saber nadar, foi você quem nem se quer molhou os pés.
Eu tentei, como eu nunca tentei antes, acredite. Sei que é difícil crer, pois você não me conhece nem um pouco. Nadinha.
Por esse motivo, você não sabe. Que não abro as portas do meu coração fácil assim pra ninguém, muito menos da minha casa. Nunca deixei que as coisas fossem fáceis para ninguém, não como com você. Me permiti, pela primeira vez, que a outra pessoa, que não eu, disse-se nossos limites. Eu cozinhei para você. Eu liguei para você. Eu pedi desculpa. Eu nunca, em toda minha vida havia feito isso por outro cara.
E agora é isso, você está a um passo de ser tornar, apenas mais um cara.
Você não deve saber, talvez nem acredite se eu disser.
Você sabia que nunca fui de me importar? de ir atrás? dar bom dia? comprar coisas para o outro? é claro que não.
Você muito provavelmente nunca vai saber, pois nunca vai me conhecer de verdade. Falta tempo e interesse.
E eu quis tanto que você soubesse de mim.
Quando você diz que eu devo ter muitas historias, eu dou um sorriso e digo que não. É tudo mentira. Só não queria lembrar de tudo, pra não perder a fé, só não queria contar, para não te assustar.
Eu sou esse emaranhado complexo pra caramba. E eu me fiz de simples e decifrável por você.
Eu não sou só esse tempo perdido que acumulo jogando, esse é só um dos meus escapes sabia? eu sou esse monte de series, de livros, de músicas, de desenhos, de bilhetes, de ex amigos, ex amores, de historias e esse amontoado acelerado de ideias.
Eu sou tudo, o que ninguém nunca compreendeu, e eu juro que estava disposta a escrever um manual de instruções para você sobreviver a mim.
No entanto, novamente, não foi dessa vez, não vai ser com você.
Nós não vamos ao boliche juntos, você não vai conhecer meus amigos, não terei você nas festas para espantar caras chatos e não vai ter outro desses dias que você me dá um beijo na nuca ao acordar.
Devo ser mesmo muito maluca, ou devia mesmo estar muito apaixonada pelo que achava de você.
Bem faz você, de ir escapando por entre meus dedos. Você já está se dissipando, como a geada que vejo nas manhãs frias, apenas esperando o sol fazer tudo desaparecer, ao aquecer.
Vou te contar outra coisa sobre mim. Tenho esse problema imenso em lembrar, de rostos. Eu queria que fosse diferente com você. Mas já fazem cinco dias, que não te vejo, e no terceiro deles, quando pensei em você, não estava mais lá. Isso mesmo, sempre que eu me distancio, as pessoas somem da minha memória. E você que estava lá tão vivo, que eu daria a descrição para um retrato falado muito bem feito, já não está mais.
Você tem sumido não só da minha memória, mas da minha vida também.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Duas décadas e meia

Eu vivi duas décadas e meia, me dirão que não é muito pra dizer que eu realmente "vivi". Porém, a vida é um aprendizado, e anos não contam tanto quanto experiências.
Ontem assisti um episódio da série sense8 que lhes perguntavam "quem é você?" e a resposta deles foi mais ou menos assim: "você quer dizer de onde vim? o que eu fiz? o que eu sinto? o que eu sonho? ... eu não sou melhor, nem pior que você". Essa é a pergunta mais difícil que todos temos que ouvir, durante toda a vida.
Quem sou eu afinal?
Eu não posso dar uma resposta concreta para essa pergunta, pois sou uma estrada em obras, sempre sendo reformada para melhorias.
Entretanto nesse momento…
Eu sou a garota que não ama pela metade, porque amor é lindo, é profundo, e as pessoas merecem ser amadas sim. Por isso, se eu amo, eu amo pra caraleo mesmo. Sou a garota dos assuntos idiotas, dos pensamentos profundos. Sou aquela da fala cheia de vícios de linguagem e gírias, mas com escrita coerente, engraçada e reflexiva. Eu não sou a garota que se formou no magistério, nem em direito, que sabe tocar duas claves no órgão ou teclado, que ama desenhar e pintar, que escreve poesia, romance, ou pensamentos, que ensinou uma pitbull a amar, que lê livros o tempo todo, que assiste mais séries do que devia, ou que viu todos os episódios de one piece em um mês apenas,  e que cozinha quase todos os dias. Não sou professora, não sou advogada ou servidora, não sou músico, não sou artista, não sou escritora, não sou adestradora, não sou leitora, não sou desocupada, não sou otaku, e não sou prendada. Eu sou é apenas uma pessoa, igualzinha aquele catador de papel que adotou um cão de rua, ou, a um desembargador do carro com o vidro blindado. Nossas diferenças são; nossas escolhas, nossas bagagens, nossa força de vontade e principalmente, como enfrentamos todos os acontecimentos de nossas vidas, pois a gente sabe que a vida não facilita pra ninguém. Mas eu possuo capacidade, assim como eles. Eu posso possuir menos meios, ou mais meios que um, ou outro, também posso ter uma vida mais fácil, ou mais difícil. Eu sinto, penso e ajo, da mesma maneira que todos, nós, pessoas. Eu não sou imortal, e um dia vou morrer como eles. E tudo o que vai ficar, é o que fui e o que fiz.
Eu sou aquela que gosta de dar bom dia, para o porteiro, ao cobrador, para a senhora da limpeza, para o senhor idoso do elevador, ou para a moça que sorriu e puxou assunto num dia qualquer. Sou sim a pessoa que não importa quem fale comigo, ou sobre o que, eu vou responder com educação e continuar a conversa se perceber que é a vontade de outrem. Eu gosto de me preocupar, gosto de ouvir, gosto de aconselhar, amo ver as pessoas rirem, amo! vocês sabiam que é por isso, que mesmo quando não estou tão bem, falo coisas divertidas. Sorrisos curam mais que qualquer remédio de depressão e acalmam mais que um calmante.
Eu sou da teoria e da prática. Eu escrevo um monte de romance, eu adoro ler romance, mas eu não vejo ele por aí, não sinto ele pelo mundo, e sei que as atitudes ou falta delas devem matar os romances reais nas esquinas da vida. Pois eu sei, que ainda há humanidade nas pessoas assim como amor. Eu preciso acreditar nisso.
Sou a tagarela mais observadora que você vai conhecer. quem diz que não é possível ser ambos? E acreditem, nessas duas décadas e meia tenho observado mais, do que falado. E quem me conhece, sabe muito bem que eu falo muito.
Demorei vinte cinco anos; para perceber a importância de não sair julgando, de não construir perfis, de se dar a chance, de conhecer as pessoas, entendê-las e principalmente se pôr em seu lugar. Empatia é uma benção.
Demorei pra entender, que não importa quão incrível você seja em algo, quase ninguém vai notar. No entanto vou ficar brava por que? como dizem, o sol dá um espetáculo todos os dias, e quase ninguém para pra ver. Hoje em dia, sempre que tenho a chance eu observo.
São duas décadas e meia em dívida com Deus, por não ter agradecido todos os dias, por mais um dia, por poder respirar, andar, pensar, ouvir por conta própria, ter uma casa, uma família e  alimento, tanto tempo que demorei para ser grata por poder ver todas essas coisas lindas que a vida nos dá, mesmo que com menos capacidade de visão que muita gente, e daí? eu posso ver! isso sim importa. E o melhor de tudo, foi quando eu percebi como tenho sorte por cada dia que sofri, cada lágrima que derramei, e todas as decepções que vivi, afinal, eu senti, eu sinto, sinto pra caramba, sinto o tempo todo, e Deus que me livre de não sentir, pois eu quero viver cada momento da minha vida, seja bom ou ruim. Preciso sentir tudo.
Demorei esses anos todos para ver. Ver de verdade, ver as pessoas, ver as coisas, ver tudo o que eu deixei passar tão despercebido, e é ótimo. Vocês olharam para o céu hoje? Aqui ele está branco, o tempo está frio, e eu amo quando o dia está assim.
Precisei do meu último ano, para superar esse meu trauma tão intenso de crianças e bebês, e perceber toda a verdade. Eles são perfeitos, eles sao felizes, inocentes, bobos, eles riem de coisas tão insignificantes para nós, as coisas são tão relevantes e incríveis para eles, eles esquecem e perdoam tão rápido né? isso sim, é lindo. E a cada nova gargalhada do meu sobrinho, eu noto como fui cega por tanto tempo.
Estou quase renovando minha habilitação e, eu não vou dizer que sou uma motorista exemplar, no entanto, eu percebi, nesses últimos anos, que quando estou atrás do volante, não sou a motorista apenas, continuo a humana. Aquela, que tem problemas, em casa, com família, com amigos, com relacionamentos, com estudos ou com trabalho. Sou eu ou qualquer um atrás de cada volante, uma pessoa boa, que pode estar por um fio, e que pode ceder a qualquer provocação naquele momento e estragar sua vida e de outro alguém. Um segundo, uma atitude, muda tudo. E é por isso, que sim, eu xingo todo mundo, o tempo todo, afinal não sou paciente, eu soco o volante grito com a marcha, mas isso tudo dentro do carro. Eu usei a buzina uma vez nesses cinco anos. Pois se um dia, eu estiver por um fio, eu adoraria que respeitassem, assim como tenho feito, porém, eu demorei tanto para notar isso.
Nunca havia parado para pensar que eu deveria ter mais calma com minha cão. Sim, ela mesma, nossos cães que não fazem nada errado além de nos amar demasiadamente. Eles só tem a nós, vocês já pensaram nisso? Sei que a gente chega cansado, sei que temos muita coisa para fazer, mas uns cinco minutinhos de atenção e paciência com eles não vão mudar nossa vida, já a deles? Bem, nós basicamente somos a vida deles, somos a razão deles, e somos tudo o que eles têm. E eu demorei vinte cinco anos para compreender isso.
Demorei vinte cinco anos para entender que precisamos perdoar todos, pois nós também precisamos do perdão das pessoas. Pra perceber que é melhor ter um amigo, do que razão. Que eu posso mudar sim, o tempo todo, sempre que achar necessário e isso não me caracteriza como sem personalidade, de modo algum. Assim como que, o fato de que fingir algo, muitas vezes não é ser falso não, é questão de educação. E também, finalmente aceitei que eu não tenho razão, que é tudo apenas questão de opinião.
Eu demorei pra perceber como sou rica. Como tenho muito mais do que pensei que teria aos vinte cinco. Eu tenho uma família incrível, ela sempre está lá, um para o outro, a gente briga, se acerta, ri e diz que se ama, e eu acredito, a gente se ama pra caramba sim. Tenho esses amigos, essas pessoas incríveis que encontrei nos meus tropeços da vida, eles têm as idades mais varias, os jeitos muito unicos, os sorrisos mais lindos, e uma parte muito importante nesse meu livro que chamo de vida. E melhor? a riqueza que todos eles me proporcionaram? essa certeza de que não estou sozinha, que sou dona de uma quantidade imensa de amor, sou destinatária de incontáveis sorrisos e tenho as melhores memórias e histórias. E pensar que tem gente que acha que sou pobre, e não construí nada nesses vinte cinco anos.
Eu demorei duas décadas e meia para ter certeza de que pobreza mental e sentimental, é sim a real pobreza. A verdadeira riqueza, não é todo mundo que conhece, e a maioria, demora bem mais que o tempo que eu necessitei para compreender.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Independência, nos faz bem ou mal?

Me perguntaram por qual motivo eu nunca peço ajuda. Eu não tinha uma resposta formulada para tal pergunta. Porém respondi com um, "gosto de fazer as coisas do meu jeito, mais gente atrapalha". O que digo sobre isso hoje? Pura mentira.
A verdade? Sou acostumada. Exatamente. Tem gente que prefere fazer tudo sozinha desde o inicio para não precisar da ajuda alheia. Eu sou esse tipo de pessoa.
Não é orgulho acreditem, nem nenhuma bobagem do gênero, para demonstrar que sou boa demais para precisar dos outros. É necessidade, é sobrevivência. Sim, isso mesmo, eu preciso ser assim. Hoje em dia precisamos depender o mínimo possível das pessoas. Por dois fatores, primeiro, elas não gostam de ajudar, não estou inventando, começando por nós mesmos, temos nossas coisas, nosso tempo contado, quanto tempo sobra para ajudarmos aos outros, se eles nos pedem ajuda, é sempre que estamos dispostos a ajudar? Não depende muito da pessoa? Infelizmente, esses somos nós. Então não temos como contar uns com os outros sempre, ou quase nunca. Segundo, as pessoas tem prazo de validade. Elas não duram muito em nossas vidas, e ai, tudo o que a pessoa fazia por você, terá que ser feito apenas por você. E se você desacostumou a fazer? Se você não fez questão de aprender por achar que a pessoa estaria sempre co m você.
Essa é nossa realidade, esses são os novos eus, ridiculamente egoístas, ou, obsessivamente independentes. Somos pessoas passageiras nas vidas das pessoas, somos apenas uma pagina, nunca um livro todo, não há como ter certeza de quem chamar em uma emergência.
Minha independência, nunca sei se ela me ajuda, ou só afasta as pessoas. No entanto, a cada novo adeus, a cada dia difícil sem ter alguém para dizer que tudo vai melhorar, acredito que fiz a escolha certa, em planejar toda minha vida baseada na independência.

sexta-feira, 31 de março de 2017

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Ninguém sabe

   Ninguém sabe da gente. Não sabem o que sentimos, por quem choramos, quem dilacerou nossos corações, quanta nutella a gente já não comeu chorando, quantas músicas nos doeram a alma, quanta saudade a gente não sufocou, quantas  vezes a gente não tentou, e perdoou, e persistiu. Quantos sorrisos demos para quem não merecia, quantas mãos gélidas não se encaixaram nas nossas, quantos humanos sem coração já não tentamos amar.
    Nem dos sentimentos imaginários que criamos sobre cada pessoa, cada momento, cada palavra, cada sorriso ou olhar. Ninguém sabe da gente. Do que trancafiamos aqui dentro por medo de parecermos frágeis, tolos. Por medo de nos machucarmos de novo, as pessoas não sabem que embaixo desse aparente asfalto perfeito e bonito que tentamos mostrar para atrai-los, existe uma estrada toda esburacada, cheia de remendos e histórias. Uma estrada que construiu quem somos, quem realmente somos, a razão por agirmos como agimos, todos nós com escudos tentando nos abraçar, mas com medo de largar a proteção que ele nos dá, e nos permitir. Nos arriscar custa caro demais, para quem tem medo da dor. Tem quem prefere não sofrer, do que arriscar um abraço com uma possível felicidade. Quem é que sabe quantas lágrimas derramamos antes de dormir, se não nosso companheiro de sempre, o travesseiro, nosso intimo confidente. Assim como, ele sabe todos os sorrisos que demos lembrando de momentos felizes.        
    Nossos celulares deveriam tem um aplicativo para registrar cada sorriso espontâneo que damos lendo uma simples mensagem, de alguém, com palavras bobas, clichês e repetidas. Nossos corações são mesmo bobinhos, saem por ai se apaixonando por quem não merece, por quem já tem alguém, ou por quem não nos quer. Mas é isso, a gente no fundo nunca desiste né? eu sei que não. Minha estrada esburacada deve ter no minimo umas quatro camadas para tapar seus buracos, mas parece que sempre está procurando uma nova britadeira para fazer um novo estrago. A gente nunca cansa de ir atrás do amor, seja correspondido ou não. A vida parece tão mais colorida quando temos alguém que faz nossas horas passarem sem percebermos.
   O problema, é apenas que, ninguém sabe da gente, e parece que ninguém nunca tem real interesse de saber. Conforme o estrago que nossas histórias nos causam, parece mais difícil largar os nossos escudos e poder abraçar o destinatário de nossos sorrisos.

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Seis meses

Esse mês fez seis meses, que estamos vivendo sem você.
É engraçado.
Agora, eu até estou sentindo as lágrimas se formarem, mas elas já não são visita frequente.
Sinto sua falta. Sempre vou sentir.
E para quem acha que é pesar demais pelo morte de um simples animal, um cão... eu lhes digo, nunca será suficiente para retirar toda a angústia que ficou em meu coração.
Perguntaram de você esse final de semana, se lamentaram por sua morte. E não eram nem tão próximos a você, eram nossos vizinhos apenas.
Nessas horas eu sorrio ao pensar como você era realmente incrível.
A Lumi está obesa, ninguém do seu nível de musculatura, pra brincar pra valer com ela. E ela também está sozinha, ela não faz amizades fácil como você.
O meu sobrinho que foi seu dono por um tempo ínfimo, adora a Lumi, deve ser por ela ser grande, ele ia te amar muito, com toda a certeza.
Eu costumo esquecer fácil, os detalhes, das pessoas. começa pela aparência, então a voz... E acaba assim, quanto mais tempo longe, mais esqueço. Não com você. Sua aparência, a maneira como lambia o focinho, latia ou ficava feliz ao me ver.
Sabe, as coisas não estão muito fáceis. E as vezes quero gritar e quebrar as coisas, mas no fim acabo escrevendo e chorando.
Lembra quando eu lhe abraçava e chorava? sempre fui esse tipo, que prefere abraçar meus amados cãezinhos do que uma pessoa. Mas você não tá aqui, e no fim, você acaba sendo um dos meus motivos de lágrimas.
Bem, eu não sei mais o que escrever, eu só sei sentir tudo por você, e parece que não diminui.
Só quero que você saiba que a saudades tá tendo sim, e muita.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Jogos sentimentais


Somos todos tolos.
Com esses joguinhos estúpidos.
Não é certo se jogar com sentimentos, porém parece inevitavel.
Você até pode tentar jogar limpo, ou melhor, não jogar.
Eles vão jogar com você.
Quem foi que inventou que a gente gosta de acumular?
Quem foi que criou essa regra sobre os jogos sentimentais?
Com certeza alguém que nunca se apaixonou, pois isso tudo é uma tremenda burrice.
Uma procrastinação sem limites, que apenas nos fere a cada nova jogada.
Vou explicar o jogo;
Se interesse por alguém, não seja completamente honesto, você não deve nunca deixar esse alguém ter certeza que você gosta dele. Pois ai você vai ser o fraco, e ninguem quer ser o fraco. Você óbviamente não vai descobrir tão cedo o que a pessoa sente por você, talvez nunca descubra. Mas o jogo é esse, não é obter para si, um sim, a reciprocidade, embora a gente queira isso mais que tudo. As normas apenas te ensinam a nunca perder a pessoa, ao menos enquanto ambos estiverem jogando. Em resumo, nesse joguinho, você nunca ganha, nem perde a pessoa. Até um dos jogadores cansar e ir atras de alguém que não goste desse jogo de omisão.
Todo mundo cansa.
Esse é um jogo em que não há ganhadores. Só frustração e choros.
Então, eu adoraria saber por que. Por qual motivo, nós jogamos?
Desde quando falar a verdade, sobre o que sentimos se tornou fraqueza?
Deve ser muito melhor falar toda a verdade sobre tudo o que sente de uma vez, e receber um sim e ir ser feliz, ou um não e superar, seguir em frente.
Seria incrível, se todo mundo não estivesse afundado demais nesse jogo.

terça-feira, 14 de março de 2017

Humanos?

O mundo todo é um estúpido faz de conta.
A gente finge:
Ser feliz, não se importar, amar, estar bem, ser amigo, se importar, ser legal, ser bom, superar, ser bonito, ser inteligente, ser superior, ser presente, não ver, não sentir, ignorar, não chorar, só sorrir, ser calmo, não ouvir, não saber, esquecer, não querer...
Todo mundo finge tanto, que nem percebe a farsa alheia.
Coloca aquele sorriso, aquela ótima roupa e faz sua melhor maquiagem. Ninguém vai ver. Afinal ninguém quer ver.
Todos estamos tão ocupados no fim do dia tirando nossas camadas, nossas máscaras, nossos disfarces, que não temos como perceber uns aos outros.
Ninguém quer desmascarar ninguém, com medo que sua farsa seja descoberta.
Se você ver alguém chorar, melhor não se envolver, pode acontecer de você se identificar, e transbordar aquilo que tanto conteve. E isso é perigoso. Você pode parecer humano.
E ninguém gosta de humanos.
Cheios de lágrimas, risos soltos e palavras sem culpa.
As pessoas gostam do modelo de fabrica. Esse que finge tudo pra agradar um ao outro, enquanto ambos ficam infelizes atuando no seu teatro de felicidade.
Então por favor! Não se importe, não me dê bom dia se eu não te der, e muito menos me pergunte como eu REALMENTE estou. Pois isso, me deixaria sem ação, e não sei realmente lidar com humanos. E teria que ser honesta, e sair desse imenso teatro chamado vida.
Entenda, eu não vou precisar nunca de um humano, e não digo isso só porque eles não existem. É que eu tenho um cachorro sabe? E com ela essas normas não se aplicam, ela não sabe nem o que é fingir.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Velhos favoritos

Liguei a ordem aleatória no spotify; me pego ouvindo uma das minhas antigas bandas favoritas. Como é bom. Fico pensando quando foi que parei de ouvi-la e por qual motivo.
Não me lembro.
Teve essa música, a primeira da playlist, não a conhecia. Agora está tocando uma que conheço. Foram os anos que fizeram essa banda se tornar como um antigo melhor amigo. Essa sensação de conhecer tanto, e não conhecer mais... odeio ela. Mas mesmo assim acaba que acontece muito. Simplesmente parece inevitável.
Essa banda representa pessoas da minha vida, ou que passaram por ela. Tudo se torna exatamente assim. Velhas bandas favoritas, já não ouvidas.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Rasa demais, para mergulhar

Estou aqui deitada essa noite, sozinha. A grande verdade é que isso é tão comum, que não lembro de momento algum em que eu não estivesse aqui, sozinha.
É como se agora fosse tarde demais. Estou fadada, a ficar só. Nunca tive ninguém. Não aprendi a compartilhar, e agora é tarde. Não consigo mudar isso. Eu só sei viver a vida à um.
Não sei nada sobre números pares. Não sei sobre dividir. Não faço ideia de como é a vida a dois. Relacionamento a dois.
Sempre mantive distancia. Fiz por estar sempre preparada para o fim, nunca para a continuidade. Segurei mãos, mas não me apeguei a sensação, para ser fácil solta-las. Abracei, mas não me acostumei ao abraço, para quando eles não estivessem presentes, eu não sentisse falta. Os beijos, foram ensaiados, tudo foi uma apresentação teatral, nada real, para não sentir necessidade de mante-los. A troca de palavras foi superficial, nada tão profundo a ponto de não poder ser esquecido. E os risos, todos meros atos convenientes, prontos para não surgirem, em momentos não adequados.
Essa redoma que criei, para evitar me machucar, é o que mais tem me ferido. Esse medo tão insano, de sofrer. Me tornou uma grande mentira. Me transformou em uma fortaleza vazia. Não me entreguei, não mergulhei de cabeça, não permiti que meu coração me guiasse. E agora, tudo é brando. Pois nunca fui profunda. Não sei mais como mergulhar no fundo do oceano, só consigo permanecer na margem, e ainda aqui, o receio de molhar os pés permanece.
Logo eu que amo tanto a intensidade, sou uma pilha sem duração.
Tão racional. Tão orgulhosa das pouquíssimas escolhas erradas. Com tão poucos arrependimentos.
Tão rasa.
Sem nada a oferecer, sem nada a pedir. Por não saber o que desejar. Por ter deixado o desapego guiar. Por não ter do que sentir falta. Por nunca ter tido nada. Nada profundo. Nada intenso. Nada que não fosse possível largar.
Sem dores imensas. Sem felicidades intensas.
Nem cheio, nem vazio. Sempre na medida. Apenas o básico. Sem exageros.
É por isso que estou aqui, deitada, sozinha. Pensando que devo estar sentindo falta de algo, mesmo que não saiba do que, por nunca ter tido esse algo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Memórias, pessoas, acasos e se...

E se não fosse sua ligação. Se fosse não minha farsa, meu termino recente e a mágoa pulsante. Se não fosse a troca obrigatória das fixas, bem naqueles caixas, em frente aqueles bancos, e seu cabelo, e, sua bermuda. Se não fosse você aparecendo acompanhado. E eu indo embora acompanhada. E o mueller. E você marcando para o dia seguinte, naquele outro local, em outro horário, depois daquele mesmo evento. Se eu não confirmasse, e não fosse. E se eu lembrasse o que pensei no dia anterior. E se não fosse meu atraso, a porta vai e vem, em frente aquele balcão, e você me parando e me puxando. E se eu não disse-se: depois. Se eu não te abandonasse naquela porta. Se você não me visse. Se eu não lembrasse. Se eu não voltasse. Se você não tentasse. Se você não ficasse ao meu lado, se não fosse seu celular em minhas mãos, e a rodinha de mosh. E você falando, e eu fingindo conseguir ouvir. Se eu não demonstrasse pouco interesse, na ligação, na frente do caixa, na entrada entre a porta vai e vem e no balcão, na pista e enquanto você tentava. Se você não se esforçasse para eu lhe ver. E se eu não te visse. Se não fosse os curtos diálogos. E seu amigo com o braço sobre meu ombro. E o seu ciumes. E aquela sua atitude. E se você não tivesse que ir embora. E se não fosse a tentativa de beijo, e a rejeição, e você frustrado. E se você não fosse persistente. Se não fosse o aniversário do meu irmão, o meu atraso, o mamonas assassinas, o último ônibus.  Se não fosse a outra ligação, e o seu pedido, e o meu sim. E as mensagens, a aula chata no auditório, o tédio, e aquela quarta-feira. Se não fosse o mueller, a renner e aquele corredor. Se você não me surpreendesse, e não me puxasse, e não me beijasse. Se você não me segurasse. Se você não sorri-se. Se você não me olhasse nos olhos. E se não fossem os passeios bobos. Se não fosse a noite surgindo, e os portões fechados, e você indo, e eu rindo. E as pessoas. E os ingressos. E o seu primeiro show. E a sua insegurança. E os seus amigos. E aquelas minhas amigas. E se não fosse o que você me disse, na portaria. Se não repetissem a palavra que você disse. Se você não tivesse posto aquela pulseira no meu braço. Se não fosse nosso tempo. E você brigando comigo. E se não fosse o cachorro quente. E meu atraso. E o álcool. Se não fosse toda a confusão. Se não fosse você lá no palco, me olhando. Se você não me olhasse o tempo todo. Se não fosse você me procurando no fim do show. Se você não me encontrasse, e aquela sua rodinha de amigos, a garrafa d'agua, o balcão, as desculpas repetidas, e o corredor. Se você não me pedisse para te acompanhar. Se eu não visse ela. Se eu não conhecesse sua mãe. Se não fosse a confusão no estacionamento. Se não fosse as ligações da sua mãe. Se não fosse seus sorrisos. Se não fosse seus planos. E se não fosse aquele último dia. As promessas. As mentiras. As risadas. As lágrimas. A falta de caráter. A traição. Se não fosse meu coração partido. Se não fosse a última ligação. Aquelas palavras. E as ofensas. Se não fossem as lembranças. E os detalhes. E o meu anel. E as mensagens. E a tartaruga. Se não fossem os outros. As diferenças. Se não fosse você aparecendo de novo, e de novo. No meu trabalho. Naquela rua. Naquele show. Se nós não fingíssemos que não nos conhecemos, que não nos beijamos, que não andamos de mãos dadas, que não nos apaixonamos, que não rimos juntos, que nunca fomos nós. No hangar, no mueller, no passeio público, nas ruas, para as pessoas. Se não nos ignorássemos. Se eu não percebesse o jeito que me olhava. Se eu não estivesse sorrindo, e se você soubesse que eu estava fingindo. Se eu não fingisse que não percebi. Se não fosse seu moletom cinza e aquela sua cara.  Se você não sumisse. Se não fosse sua mudança. A distância. Se não fossem os anos. Se não fosse meu depoimento. Se não fosse novamente aquele dia, com você. Se não fosse seu nome e o meu, na mesma página. E o interrogatório, e o meu depoimento, e eu te chamando de ex. Se não fosse você me assombrando. Se eu não tivesse que relembrar. Se eu tivesse como apagar. Se não fosse a frustração. Se não fossem as dúvidas. Se não fossem as possibilidades. Se não fossem os erros. Os términos. A volta. As brigas. Os abraços. O seu perfume naquele elevador, daquele prédio. Se não fosse tudo errado. Se não fosse ela. Se não fosse o celular emprestado. Se não fosse a confiança. E aquele dia das crianças, daquele ano. E sua honestidade estúpida. Se não fosse o cpm22 e o blink182. Se não fosse o silêncio. E a confusão. Se não fosse tudo isso. Nunca teria havido nós.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

2016

Não vou esquecer esse ano nunca.
Passei cinco anos da minha vida esperando por este ano. Sim esse que foi quase um desastre total. Mas não vou esquece-lo. Afinal ele foi muito melhor do que esperava. Me surpreendeu. E me mudou tanto.
Eu vivi durante os últimos cinco anos, aquela mesmice. Cumprir horários, estudar, trabalhar, limpar e sair. Virou costume. Parte do dia a dia. E nesse tempo eu ansiei por esse ano. Por terminar tudo, jogar a rotina no lixo e lidar com uma nova realidade.

Bem... as coisas não correram como planejei.
Fiz uma lista de convidados para formatura, acabou que risquei metade, acrescentei um ou outro. Nem todos foram, mas quem foi não vai esquecer tão cedo.
Planejei meu par, deu errado. E o par improvisado foi o melhor que eu poderia ter.
Juro que tentei aprender a andar naquele sapato com aquele salto grande, não deu certo, e depois de meia hora eu queria usar o salto para me matar de tanta dor que eu sentia. No final do baile estávamos todos disputando quem estava com o pé mais sujo. Sapatos, para que afinal?
Fiz trajetos, para alguns lugares que deveria ir, devo ter revisto eles umas três vezes. Me perdi em todos. E alguns que não pesquisei antes eu achei de primeira.
O pneu do carro furou, mas eu continuo sem saber trocar um pneu.
Disse a mim que faria algum exercício, não deu certo. Passei o ano todo intercalando entre banco do computador e minha cama.
Fiz uma meta para ler todos os livros que possuo e não li, seriam dezoito. Acabei baixando cinco livros em pdf e os lendo, e li outros cinco apenas, dos que possuo. E agora são mais que quatorze não lidos na estante.
Ia terminar de escrever coisas que estão inacabadas. Acabei assistindo aos mais de setecentos episódios de one piece, somando com mais uns vinte animes que vi, e não terminei de escrever nada. Mas os seriados estão em dia.
De acordo com o tempo que tive livre, eu iria aprender a tocar violão esse ano, não toquei nele nem pra tirar o pó.
Tentei encontrar um emprego, continuo desempregada.
Coloquei ponto final em assuntos que nunca deveriam ter existido, mas eles insistiram em me infernizar até os últimos meses do ano.
Desliguei o telefone na cara de umas pessoas, bloqueei outros, desbloqueei e ainda dei presente de natal.
Percebi que tem momentos ruins, que servem para unir aqueles que nunca deveriam ter se afastado.
Aprendi o que é amor a primeira vista, quando segurei meu sobrinho no colo pela primeira vez. E meu medo do olhar dos bebês foi embora, juro! afinal ele sempre está me encarando.
Aceitei que a vida te dá algo, e também tira. Quando o Pudim morreu, um mês depois do meu sobrinho vir ao mundo.
Briguei, tentando evitar brigas.
Me afastei, tentando encontrar paz.
Mudei alguns pensamentos meus, para aliviar o peso nos ombros.
Afastei todos que disseram que eu mudei, e queriam a antiga eu. Quem decide quando é necessário mudar, sou eu.
Chorei de felicidade, e de tristeza.
Contei moedas, juntei dinheiro mesmo sem ter salário e nos fim fui em mais festas do que quando eu tinha emprego.
Não lembrava de ter planejado tanta coisa para esse ano, até notar tudo o que eu não cumpri.
Sei que muita coisa deu errado.
Nada foi como eu planejei.
Coisas horríveis aconteceram... falecimentos, brigas, perdas, crises...
Da mesma maneira como coisas lindas ocorreram.
Consegui me decepcionar e me surpreender
E tudo isso significa apenas que eu estou viva.
Obrigada Deus.
Por ter me dado a chance de acordar mais e mais um dia.
Por me permitir ver o sol nascer e se por.
Por poder ouvir a minha cãozinha reclamar de fome, mesmo estando acima do peso.
Por me dar a capacidade de me mover perfeitamente, permitindo que eu possa segurar o meu sobrinho super gordo no colo, até que ele cresça possa se mover por conta própria.
Por me fazer sentir tudo.
Quando chorei até me esgotar, ou quando ri até doer.
Por o único momento que precisei ir ao hospital esse ano, ter sido porque meu mais novo amor nasceu, lindo e saudável.
Eu posso não ter cumprido minhas metas.
Mas eu fiz algo muito mais importante.
Eu fui feliz, sem dinheiro, com pouco dinheiro, com minha família, sem ela, com meus amigos, sem eles, com minha cachorrinha, nunca sem ela, com planos, ou sem.
Eu vivi, o máximo que pude, o quanto pude, e com as melhores pessoas, sem dúvida.

Então que 2017 seja bem vindo.