Tava pensando hoje sobre tudo. E quando pensei em tudo, um tudo que se resumiu apenas a esse ano, lembrei de você. Você e aquele seu sorriso malandro, aquela risada gostosa e aquela voz viciante. Você que nunca vai saber, mas caramba, como eu amei estar com você, como foram importantes aqueles dias com você. O primeiro dia que nos conhecemos, em que fui enganada por você implorando ajuda dizendo estar muito mal, e você não estava, eu fiquei furiosa, e você ria depois dizendo que lembrava como eu fiquei preocupada. Nunca imaginei, que todos os outros dias com você eram meus pedidos silênciosos porém verdadeiros por ajuda. Você aceitava todos, tirando os poucos que você adormecia antes do assunto ser finalizado, e eu brigava com você por isso, enquanto você me respondia calmamente que acabou dormindo por estar cansado. Sempre foi impossivel brigar com você, você era a calmaria após a tempestade. Eramos oposto em tudo, mas aquelas risadas combinadas, os papos sinceros e engraçados misturados aos monte de beijos, tiravam a relevancia da nossa grotesca diferença. Você sempre apressado, querendo algo diferente do que eu queria, e no fim, fazendo tudo exatamente como eu queria. Lembro como se fosse hoje, de você brigando comigo, ninguém nunca brigou comigo daquele jeito. Muito menos por tal motivo. Quem diria que você ficaria bravo por ser tratado como um qualquer, um rolo. Eu achando que eu que era isso pra você... Os pedidos de namoro, a insistencia em ficar, a constancia em me procurar... Eu fiquei assustada, não era acostumada com isso, a continuidade me fez surtar. Mas o que me fez acabar tudo mesmo, de verdade? Foi o medo. A possibilidade de eu te amar, de eu amar alguém pela primeira vez, era evidente. Te conhecer, e não te amar, são coisas impossiveis. Por isso, eu fugi. Por essa razão, eu acabei, o que nem haviamos começado. Foi culpa sua, me assustar com sua realidade, uma realidade que eu não me senti capaz de te tirar, que me fez pensar, em como seria horrivel te perder de verdade, e me lembrou como sou fraca e não conseguiria seguir em frente. Foi aquele dia em que você ficou birrento por eu me atrassar, pois não conseguia acender a luz do carro, que achei que você tinha voltado pra casa por isso, mas logo você bateu no vidro do carro, nesse mesmo dia você adormeceu me abraçando, e eu vi como você estava cansado e ainda sim quis me ver. Aquela madrugada em que você queria me beijar e eu mandei você parar e ouvir meu desabafo, você encostou a cabeça no banco e pediu que eu falasse, me ouviu, falou, riu, rimos, minha tristeza foi, eu chorei no seu ombro, você não viu, estava escuro. Conversamos do futuro, do passado, discutimos aquele momento, perdi meu tenis, você achou, o ar condicionado estragado do carro não desembaçou o vidro pra irmos embora, fiz drama, e você sem questionar limpou o vidro com sua jaqueta nova. Foi o dia que notei, como você sempre vinha me ver com suas melhores roupas, mesmo quando eu ia de pantufa e pijama. Mas o nosso fim, foi aquele dia, que você me fez se apaixonar mais por você. Escolhemos o filme, e você mentiu que não achou dublado como você queria, por isso veriamos legendado como eu queria. Você me abraçou, segurou uma das minhas mãos. E eu soube, que estavamos acabados. Eu nunca te disse a verdade, você é um distraido que não sabe como sou observadora, e como tudo aquilo me incomodou. Como o resultado das suas ações e escolhas me deixaram mal, preocupada e com medo. Não sou eu a garota que vai lutar contra tudo o que você é, contra suas escolhas ruins, não sou eu que vai aguentar as consequências delas. Pois eu sou fraca, só me faço de forte, então eu fugi, pra não te amar e consequentemente sofrer, por te perder para o resultado dos seus erros. Se você uma vez apenas, se enxergasse com meus olhos, e visse tudo de maravilhoso que eu via em você, tenho certeza que você mudaria. Que saudades do seu sorriso, da sua barba ridicula, das suas covinhas exageradas, do cheiro de shampo do seu cabelo ondulado, da sua voz viciante, das suas atitudes irritantes, do seu colar de pedra que constrasta tanto com sua pele morena, da sua incontrolavel mão, de você me contrariando em tudo, da sua altura que me obrigava a ficar na ponta dos pés, da sua calma, e do jeito que me olhava. As vezes quero voltar correndo pros seus braços, mesmo sabendo que deve estar envolvido em outros abraços, mas a realidade me atinge e eu me calo, me contenho e disfarço. Nessas horas me transfiro pro carro, desenhando e escrevendo no vidro embaçado, rindo e te beijando, sem ter ideia de que tudo de lindo que seu sorriso trazia, vinha com o dobro em tragédia.
"Se tem uma coisa que aprendi, é isso: todos nós queremos que tudo fique bem. Nem mesmo desejamos que as coisas sejam fantásticas, maravilhosas ou extraordinárias. Satisfeitos, aceitamos o bem, porque, na maior parte do tempo, bem é o suficiente." - David Levithan
terça-feira, 7 de novembro de 2017
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Egoísta
Mas…
Nós nunca seriamos um romance
Pois sou incapaz de ver alguém além de mim
Eu amo o romance, mas eu amo mais viver a vida a um
Eu nunca pensei em você
Eu nunca amei você
Eu só, não queria estar só naqueles dias
Eu só queria alguém que me fizesse rir
Eu só queria alguém para me abraçar ao dormir
Eu só queria um elogio
Eu só queria ter alguém para lembrar antes de dormir
Não precisava ser você esse alguém, qualquer um servia, mas era você que estava ali…
Eu só pensei em mim
Como sempre faço.
Desculpe por ter usado você para suprir meus dias egoístas
Mas era melhor ser você, que não se machuca fácil.
Você que é tão parecido comigo, e nunca vai perceber isso.
É uma pena que enjoei
De fingir saudades e sentimentos
De fingir que eramos nós naqueles dias, que eu só estava pensando em mim
sexta-feira, 30 de junho de 2017
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Se esvaindo
Porém, te juro que não foi ingenuidade, eu realmente acreditei que iria dar certo, entre nós.
Vi simplicidade e fluidez, onde se mostrou nada mais que um amontoado de empecilhos e dificuldades. E eu estou tão farta disso.
Sempre soube que as coisas só são difíceis quando não queremos realmente. Quem quer vai atrás, insiste e consegue dar um jeito.
Mas meu amor, dessa vez não fui eu quem tive medo de se jogar sem saber nadar, foi você quem nem se quer molhou os pés.
Eu tentei, como eu nunca tentei antes, acredite. Sei que é difícil crer, pois você não me conhece nem um pouco. Nadinha.
Por esse motivo, você não sabe. Que não abro as portas do meu coração fácil assim pra ninguém, muito menos da minha casa. Nunca deixei que as coisas fossem fáceis para ninguém, não como com você. Me permiti, pela primeira vez, que a outra pessoa, que não eu, disse-se nossos limites. Eu cozinhei para você. Eu liguei para você. Eu pedi desculpa. Eu nunca, em toda minha vida havia feito isso por outro cara.
Você não deve saber, talvez nem acredite se eu disser.
Você sabia que nunca fui de me importar? de ir atrás? dar bom dia? comprar coisas para o outro? é claro que não.
Você muito provavelmente nunca vai saber, pois nunca vai me conhecer de verdade. Falta tempo e interesse.
E eu quis tanto que você soubesse de mim.
Quando você diz que eu devo ter muitas historias, eu dou um sorriso e digo que não. É tudo mentira. Só não queria lembrar de tudo, pra não perder a fé, só não queria contar, para não te assustar.
Eu sou esse emaranhado complexo pra caramba. E eu me fiz de simples e decifrável por você.
Eu não sou só esse tempo perdido que acumulo jogando, esse é só um dos meus escapes sabia? eu sou esse monte de series, de livros, de músicas, de desenhos, de bilhetes, de ex amigos, ex amores, de historias e esse amontoado acelerado de ideias.
Eu sou tudo, o que ninguém nunca compreendeu, e eu juro que estava disposta a escrever um manual de instruções para você sobreviver a mim.
No entanto, novamente, não foi dessa vez, não vai ser com você.
Nós não vamos ao boliche juntos, você não vai conhecer meus amigos, não terei você nas festas para espantar caras chatos e não vai ter outro desses dias que você me dá um beijo na nuca ao acordar.
Devo ser mesmo muito maluca, ou devia mesmo estar muito apaixonada pelo que achava de você.
Bem faz você, de ir escapando por entre meus dedos. Você já está se dissipando, como a geada que vejo nas manhãs frias, apenas esperando o sol fazer tudo desaparecer, ao aquecer.
Vou te contar outra coisa sobre mim. Tenho esse problema imenso em lembrar, de rostos. Eu queria que fosse diferente com você. Mas já fazem cinco dias, que não te vejo, e no terceiro deles, quando pensei em você, não estava mais lá. Isso mesmo, sempre que eu me distancio, as pessoas somem da minha memória. E você que estava lá tão vivo, que eu daria a descrição para um retrato falado muito bem feito, já não está mais.
Você tem sumido não só da minha memória, mas da minha vida também.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Duas décadas e meia
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Independência, nos faz bem ou mal?
A verdade? Sou acostumada. Exatamente. Tem gente que prefere fazer tudo sozinha desde o inicio para não precisar da ajuda alheia. Eu sou esse tipo de pessoa.
Não é orgulho acreditem, nem nenhuma bobagem do gênero, para demonstrar que sou boa demais para precisar dos outros. É necessidade, é sobrevivência. Sim, isso mesmo, eu preciso ser assim. Hoje em dia precisamos depender o mínimo possível das pessoas. Por dois fatores, primeiro, elas não gostam de ajudar, não estou inventando, começando por nós mesmos, temos nossas coisas, nosso tempo contado, quanto tempo sobra para ajudarmos aos outros, se eles nos pedem ajuda, é sempre que estamos dispostos a ajudar? Não depende muito da pessoa? Infelizmente, esses somos nós. Então não temos como contar uns com os outros sempre, ou quase nunca. Segundo, as pessoas tem prazo de validade. Elas não duram muito em nossas vidas, e ai, tudo o que a pessoa fazia por você, terá que ser feito apenas por você. E se você desacostumou a fazer? Se você não fez questão de aprender por achar que a pessoa estaria sempre co m você.
Essa é nossa realidade, esses são os novos eus, ridiculamente egoístas, ou, obsessivamente independentes. Somos pessoas passageiras nas vidas das pessoas, somos apenas uma pagina, nunca um livro todo, não há como ter certeza de quem chamar em uma emergência.
Minha independência, nunca sei se ela me ajuda, ou só afasta as pessoas. No entanto, a cada novo adeus, a cada dia difícil sem ter alguém para dizer que tudo vai melhorar, acredito que fiz a escolha certa, em planejar toda minha vida baseada na independência.
sexta-feira, 31 de março de 2017
Ninguém sabe
O problema, é apenas que, ninguém sabe da gente, e parece que ninguém nunca tem real interesse de saber. Conforme o estrago que nossas histórias nos causam, parece mais difícil largar os nossos escudos e poder abraçar o destinatário de nossos sorrisos.
Seis meses
É engraçado.
Agora, eu até estou sentindo as lágrimas se formarem, mas elas já não são visita frequente.
Sinto sua falta. Sempre vou sentir.
E para quem acha que é pesar demais pelo morte de um simples animal, um cão... eu lhes digo, nunca será suficiente para retirar toda a angústia que ficou em meu coração.
Perguntaram de você esse final de semana, se lamentaram por sua morte. E não eram nem tão próximos a você, eram nossos vizinhos apenas.
Nessas horas eu sorrio ao pensar como você era realmente incrível.
A Lumi está obesa, ninguém do seu nível de musculatura, pra brincar pra valer com ela. E ela também está sozinha, ela não faz amizades fácil como você.
O meu sobrinho que foi seu dono por um tempo ínfimo, adora a Lumi, deve ser por ela ser grande, ele ia te amar muito, com toda a certeza.
quinta-feira, 23 de março de 2017
Jogos sentimentais
Somos todos tolos.
Com esses joguinhos estúpidos.
Não é certo se jogar com sentimentos, porém parece inevitavel.
Você até pode tentar jogar limpo, ou melhor, não jogar.
Eles vão jogar com você.
Quem foi que inventou que a gente gosta de acumular?
Quem foi que criou essa regra sobre os jogos sentimentais?
Com certeza alguém que nunca se apaixonou, pois isso tudo é uma tremenda burrice.
Uma procrastinação sem limites, que apenas nos fere a cada nova jogada.
Vou explicar o jogo;
Se interesse por alguém, não seja completamente honesto, você não deve nunca deixar esse alguém ter certeza que você gosta dele. Pois ai você vai ser o fraco, e ninguem quer ser o fraco. Você óbviamente não vai descobrir tão cedo o que a pessoa sente por você, talvez nunca descubra. Mas o jogo é esse, não é obter para si, um sim, a reciprocidade, embora a gente queira isso mais que tudo. As normas apenas te ensinam a nunca perder a pessoa, ao menos enquanto ambos estiverem jogando. Em resumo, nesse joguinho, você nunca ganha, nem perde a pessoa. Até um dos jogadores cansar e ir atras de alguém que não goste desse jogo de omisão.
Todo mundo cansa.
Esse é um jogo em que não há ganhadores. Só frustração e choros.
Então, eu adoraria saber por que. Por qual motivo, nós jogamos?
Desde quando falar a verdade, sobre o que sentimos se tornou fraqueza?
Deve ser muito melhor falar toda a verdade sobre tudo o que sente de uma vez, e receber um sim e ir ser feliz, ou um não e superar, seguir em frente.
Seria incrível, se todo mundo não estivesse afundado demais nesse jogo.
terça-feira, 14 de março de 2017
Humanos?
A gente finge:
Ser feliz, não se importar, amar, estar bem, ser amigo, se importar, ser legal, ser bom, superar, ser bonito, ser inteligente, ser superior, ser presente, não ver, não sentir, ignorar, não chorar, só sorrir, ser calmo, não ouvir, não saber, esquecer, não querer...
Todo mundo finge tanto, que nem percebe a farsa alheia.
Coloca aquele sorriso, aquela ótima roupa e faz sua melhor maquiagem. Ninguém vai ver. Afinal ninguém quer ver.
Todos estamos tão ocupados no fim do dia tirando nossas camadas, nossas máscaras, nossos disfarces, que não temos como perceber uns aos outros.
Ninguém quer desmascarar ninguém, com medo que sua farsa seja descoberta.
Se você ver alguém chorar, melhor não se envolver, pode acontecer de você se identificar, e transbordar aquilo que tanto conteve. E isso é perigoso. Você pode parecer humano.
E ninguém gosta de humanos.
Cheios de lágrimas, risos soltos e palavras sem culpa.
As pessoas gostam do modelo de fabrica. Esse que finge tudo pra agradar um ao outro, enquanto ambos ficam infelizes atuando no seu teatro de felicidade.
Então por favor! Não se importe, não me dê bom dia se eu não te der, e muito menos me pergunte como eu REALMENTE estou. Pois isso, me deixaria sem ação, e não sei realmente lidar com humanos. E teria que ser honesta, e sair desse imenso teatro chamado vida.
Entenda, eu não vou precisar nunca de um humano, e não digo isso só porque eles não existem. É que eu tenho um cachorro sabe? E com ela essas normas não se aplicam, ela não sabe nem o que é fingir.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Velhos favoritos
Não me lembro.
Teve essa música, a primeira da playlist, não a conhecia. Agora está tocando uma que conheço. Foram os anos que fizeram essa banda se tornar como um antigo melhor amigo. Essa sensação de conhecer tanto, e não conhecer mais... odeio ela. Mas mesmo assim acaba que acontece muito. Simplesmente parece inevitável.
Essa banda representa pessoas da minha vida, ou que passaram por ela. Tudo se torna exatamente assim. Velhas bandas favoritas, já não ouvidas.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Rasa demais, para mergulhar
É como se agora fosse tarde demais. Estou fadada, a ficar só. Nunca tive ninguém. Não aprendi a compartilhar, e agora é tarde. Não consigo mudar isso. Eu só sei viver a vida à um.
Não sei nada sobre números pares. Não sei sobre dividir. Não faço ideia de como é a vida a dois. Relacionamento a dois.
Sempre mantive distancia. Fiz por estar sempre preparada para o fim, nunca para a continuidade. Segurei mãos, mas não me apeguei a sensação, para ser fácil solta-las. Abracei, mas não me acostumei ao abraço, para quando eles não estivessem presentes, eu não sentisse falta. Os beijos, foram ensaiados, tudo foi uma apresentação teatral, nada real, para não sentir necessidade de mante-los. A troca de palavras foi superficial, nada tão profundo a ponto de não poder ser esquecido. E os risos, todos meros atos convenientes, prontos para não surgirem, em momentos não adequados.
Essa redoma que criei, para evitar me machucar, é o que mais tem me ferido. Esse medo tão insano, de sofrer. Me tornou uma grande mentira. Me transformou em uma fortaleza vazia. Não me entreguei, não mergulhei de cabeça, não permiti que meu coração me guiasse. E agora, tudo é brando. Pois nunca fui profunda. Não sei mais como mergulhar no fundo do oceano, só consigo permanecer na margem, e ainda aqui, o receio de molhar os pés permanece.
Logo eu que amo tanto a intensidade, sou uma pilha sem duração.
Tão racional. Tão orgulhosa das pouquíssimas escolhas erradas. Com tão poucos arrependimentos.
Tão rasa.
Sem nada a oferecer, sem nada a pedir. Por não saber o que desejar. Por ter deixado o desapego guiar. Por não ter do que sentir falta. Por nunca ter tido nada. Nada profundo. Nada intenso. Nada que não fosse possível largar.
Sem dores imensas. Sem felicidades intensas.
Nem cheio, nem vazio. Sempre na medida. Apenas o básico. Sem exageros.
É por isso que estou aqui, deitada, sozinha. Pensando que devo estar sentindo falta de algo, mesmo que não saiba do que, por nunca ter tido esse algo.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Memórias, pessoas, acasos e se...
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
domingo, 8 de janeiro de 2017
2016
Não vou esquecer esse ano nunca.
Passei cinco anos da minha vida esperando por este ano. Sim esse que foi quase um desastre total. Mas não vou esquece-lo. Afinal ele foi muito melhor do que esperava. Me surpreendeu. E me mudou tanto.
Eu vivi durante os últimos cinco anos, aquela mesmice. Cumprir horários, estudar, trabalhar, limpar e sair. Virou costume. Parte do dia a dia. E nesse tempo eu ansiei por esse ano. Por terminar tudo, jogar a rotina no lixo e lidar com uma nova realidade.
Bem... as coisas não correram como planejei.
Fiz uma lista de convidados para formatura, acabou que risquei metade, acrescentei um ou outro. Nem todos foram, mas quem foi não vai esquecer tão cedo.
Planejei meu par, deu errado. E o par improvisado foi o melhor que eu poderia ter.
Juro que tentei aprender a andar naquele sapato com aquele salto grande, não deu certo, e depois de meia hora eu queria usar o salto para me matar de tanta dor que eu sentia. No final do baile estávamos todos disputando quem estava com o pé mais sujo. Sapatos, para que afinal?
Fiz trajetos, para alguns lugares que deveria ir, devo ter revisto eles umas três vezes. Me perdi em todos. E alguns que não pesquisei antes eu achei de primeira.
O pneu do carro furou, mas eu continuo sem saber trocar um pneu.
Disse a mim que faria algum exercício, não deu certo. Passei o ano todo intercalando entre banco do computador e minha cama.
Fiz uma meta para ler todos os livros que possuo e não li, seriam dezoito. Acabei baixando cinco livros em pdf e os lendo, e li outros cinco apenas, dos que possuo. E agora são mais que quatorze não lidos na estante.
Ia terminar de escrever coisas que estão inacabadas. Acabei assistindo aos mais de setecentos episódios de one piece, somando com mais uns vinte animes que vi, e não terminei de escrever nada. Mas os seriados estão em dia.
De acordo com o tempo que tive livre, eu iria aprender a tocar violão esse ano, não toquei nele nem pra tirar o pó.
Tentei encontrar um emprego, continuo desempregada.
Coloquei ponto final em assuntos que nunca deveriam ter existido, mas eles insistiram em me infernizar até os últimos meses do ano.
Desliguei o telefone na cara de umas pessoas, bloqueei outros, desbloqueei e ainda dei presente de natal.
Percebi que tem momentos ruins, que servem para unir aqueles que nunca deveriam ter se afastado.
Aprendi o que é amor a primeira vista, quando segurei meu sobrinho no colo pela primeira vez. E meu medo do olhar dos bebês foi embora, juro! afinal ele sempre está me encarando.
Aceitei que a vida te dá algo, e também tira. Quando o Pudim morreu, um mês depois do meu sobrinho vir ao mundo.
Briguei, tentando evitar brigas.
Me afastei, tentando encontrar paz.
Mudei alguns pensamentos meus, para aliviar o peso nos ombros.
Afastei todos que disseram que eu mudei, e queriam a antiga eu. Quem decide quando é necessário mudar, sou eu.
Chorei de felicidade, e de tristeza.
Contei moedas, juntei dinheiro mesmo sem ter salário e nos fim fui em mais festas do que quando eu tinha emprego.
Não lembrava de ter planejado tanta coisa para esse ano, até notar tudo o que eu não cumpri.
Sei que muita coisa deu errado.
Nada foi como eu planejei.
Coisas horríveis aconteceram... falecimentos, brigas, perdas, crises...
Da mesma maneira como coisas lindas ocorreram.
Consegui me decepcionar e me surpreender
E tudo isso significa apenas que eu estou viva.
Obrigada Deus.
Por ter me dado a chance de acordar mais e mais um dia.
Por me permitir ver o sol nascer e se por.
Por poder ouvir a minha cãozinha reclamar de fome, mesmo estando acima do peso.
Por me dar a capacidade de me mover perfeitamente, permitindo que eu possa segurar o meu sobrinho super gordo no colo, até que ele cresça possa se mover por conta própria.
Por me fazer sentir tudo.
Quando chorei até me esgotar, ou quando ri até doer.
Por o único momento que precisei ir ao hospital esse ano, ter sido porque meu mais novo amor nasceu, lindo e saudável.
Eu posso não ter cumprido minhas metas.
Mas eu fiz algo muito mais importante.
Eu fui feliz, sem dinheiro, com pouco dinheiro, com minha família, sem ela, com meus amigos, sem eles, com minha cachorrinha, nunca sem ela, com planos, ou sem.
Eu vivi, o máximo que pude, o quanto pude, e com as melhores pessoas, sem dúvida.
Então que 2017 seja bem vindo.






