terça-feira, 7 de novembro de 2017

Minhas melhores madrugadas

Tava pensando hoje sobre tudo. E quando pensei em tudo, um tudo que se resumiu apenas a esse ano, lembrei de você. Você e aquele seu sorriso malandro, aquela risada gostosa e aquela voz viciante. Você que nunca vai saber, mas caramba, como eu amei estar com você, como foram importantes aqueles dias com você. O primeiro dia que nos conhecemos, em que fui enganada por você implorando ajuda dizendo estar muito mal, e você não estava, eu fiquei furiosa, e você ria depois dizendo que lembrava como eu fiquei preocupada. Nunca imaginei, que todos os outros dias com você eram meus pedidos silênciosos porém verdadeiros por ajuda. Você aceitava todos, tirando os poucos que você adormecia antes do assunto ser finalizado, e eu brigava com você por isso, enquanto você me respondia calmamente que acabou dormindo por estar cansado. Sempre foi impossivel brigar com você, você era a calmaria após a tempestade. Eramos oposto em tudo, mas aquelas risadas combinadas, os papos sinceros e engraçados misturados aos monte de beijos, tiravam a relevancia da nossa grotesca diferença. Você sempre apressado, querendo algo diferente do que eu queria, e no fim, fazendo tudo exatamente como eu queria. Lembro como se fosse hoje, de você brigando comigo, ninguém nunca brigou comigo daquele jeito. Muito menos por tal motivo. Quem diria que você ficaria bravo por ser tratado como um qualquer, um rolo. Eu achando que eu que era isso pra você... Os pedidos de namoro, a insistencia em ficar, a constancia em me procurar... Eu fiquei assustada, não era acostumada com isso, a continuidade me fez surtar. Mas o que me fez acabar tudo mesmo, de verdade? Foi o medo. A possibilidade de eu te amar, de eu amar alguém pela primeira vez, era evidente. Te conhecer, e não te amar, são coisas impossiveis. Por isso, eu fugi. Por essa razão, eu acabei, o que nem haviamos começado. Foi culpa sua, me assustar com sua realidade,  uma realidade que eu não me senti capaz de te tirar, que me fez pensar, em como seria horrivel te perder de verdade, e me lembrou como sou fraca e não conseguiria seguir em frente. Foi aquele dia em que você  ficou birrento por eu me atrassar, pois não conseguia acender a luz do carro, que achei que você tinha voltado pra casa por isso, mas logo você bateu no vidro do carro, nesse mesmo dia você adormeceu me abraçando, e eu vi como você estava cansado e ainda sim quis me ver. Aquela madrugada em que você queria me beijar e eu mandei você parar e ouvir meu desabafo, você encostou a cabeça no banco e pediu que eu falasse, me ouviu, falou, riu, rimos, minha tristeza foi, eu chorei no seu ombro, você não viu, estava escuro. Conversamos do futuro, do passado, discutimos aquele momento, perdi meu tenis, você achou, o ar condicionado estragado do carro não desembaçou o vidro pra irmos embora, fiz drama, e você sem questionar limpou o vidro com sua jaqueta nova. Foi o dia que notei, como você sempre vinha me ver com suas melhores roupas, mesmo quando eu ia de pantufa e pijama. Mas o nosso fim, foi aquele dia, que você me fez se apaixonar mais por você. Escolhemos o filme, e você mentiu que não achou dublado como você queria, por isso veriamos legendado como eu queria. Você me abraçou, segurou uma das minhas mãos. E eu soube, que estavamos acabados. Eu nunca te disse a verdade, você é um distraido que não sabe como sou observadora, e como tudo aquilo me incomodou. Como o resultado das suas ações e escolhas me deixaram mal, preocupada e com medo. Não sou eu a garota que vai lutar contra tudo o que você é, contra suas escolhas ruins, não sou eu que vai aguentar as consequências delas. Pois eu sou fraca, só me faço de forte, então eu fugi, pra não te amar e consequentemente sofrer, por te perder para o resultado dos seus erros. Se você uma vez apenas, se enxergasse com meus olhos, e visse tudo de maravilhoso que eu via em você, tenho certeza que você mudaria. Que saudades do seu sorriso, da sua barba ridicula, das suas covinhas exageradas, do cheiro de shampo do seu cabelo ondulado, da sua voz viciante, das suas atitudes irritantes, do seu colar de pedra que constrasta tanto com sua pele morena, da sua incontrolavel mão, de você me contrariando em tudo, da sua altura que me obrigava a ficar na ponta dos pés, da sua calma, e do jeito que me olhava. As vezes quero voltar correndo pros seus braços, mesmo sabendo que deve estar envolvido em outros abraços, mas a realidade me atinge e eu me calo, me contenho e disfarço. Nessas horas me transfiro pro carro, desenhando e escrevendo no vidro embaçado, rindo e te beijando, sem ter ideia de que tudo de lindo que seu sorriso trazia, vinha com o dobro em tragédia.