sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Fique

Por um longo tempo não amei ninguém. Não por que não quisesse, mas, às vezes, o coração é que não está preparado pra amar, pra dar espaço pra alguém além de nós mesmos. Eu tenho marcas, cicatrizes longas e infinitas que ameaçam não sumir nunca, porque quem a gente foi e o que a gente passou, vai dentro da nossa bagagem de experiência. Por mais que esquecer seja uma coisa que, em nossas mentes, precisa acontecer. Nunca é fácil deixar pra lá, lidar com tantas coisas que machucam e fingir estar nem ai pra tudo. E de cara, vem aquele cômodo de ter que se esforçar para manter tudo no devido lugar: coração, comportamento e os pensamentos. Cansei dessas noites mal dormidas, de textos inacabados e pessoas incompletas. Sou dura demais, exigente demais quando o tema é meus sentimentos, se não quero, não dá e me recuso a conhecer pessoas que não me acrescentariam nada. Essa é a teoria da minha vida: passe por ela e me surpreenda. Fique.

Feliphe de Oliveira e Mah Soares

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A verdade é que...

Você pode ouvir?
Batidas, algo vem se rompendo, se quebrou, foi liberto.
Você me ouve? Desatando nosso laço, nosso vinculo foi quebrado, e eu que acreditava que tal acontecimento era impossivel de ocorrer.
Quando eu olhei pra trás, não estava lá, sua sombra, eu não estava mais presa a você. Fiquei inerte, quando me dei conta que você não faz falta.
A realidade é que, eu gostava de preencher o vazio com você, gostava de direcionar a saudade a você, me sentia melhor em colocar você como o ator principal em minha história, adorava te-lo como heroi, gostava de falar sobre amor, e direcionar tal monologo a você, mas, o destino é inexsoravel.
Estou meio ocupada demais pra manter esse vinculo inexistente. Nunca fomos bons um para o outro como eu pensava, somos consequencia de um acidente, e eu não me importo mais com isso. Apenas aconteceu, de eu me desacostumar de você, assim como aconteceu toda "aquela nossa história" há anos atrás, aconteceu, mas é apenas uma história agora, nem mesmo quando me dizem que parece como um filme, me comove.
Descobri que não tem porque eu sentir saudades ou sofrer por alguém, não é necessario. Só pelo fato de grande maioria faze-lo não significa que comigo deva acontecer também.
A grande verdade é que sou boa com as palavras. Não escrevo de amor porque estou amando, não escrevo de saudades pois estou sentindo falta de alguém, não escrevo sobre dor por estar sofrendo, eu apenas escrevo, sobre assuntos que eu entendo. Ja amei, ja quase morri de saudades, ja sofri, muito, não hoje, não nesses últimos tempos, mas cada coisa que ocorre no meu dia, me é uma motivação pra relembrar, transcrever e deixar pra trás através das palavras.
Semana passada estava em meio a minha rotina, e vi um garoto que me lembrou o passado, parecia o garoto,  pra quem um dia eu escrevi que possuiamos um vinculo inquebravel, foi ai que eu percebi a inexistencia desse vinculo. Ele se desfez como as ondas quando se encontram com a areia, dissolveu-se naturalmente, de maneira imperceptivel, sem deixar marcas, sem avisos previos.
Não é realmente simples, manter-me inerte em meio ao fim de algo que sustentei durante uma vida, mas, eu tenho adotado um principio, o principio da reciprocidade. Então se ele não correu desesperado juntar os pedaços, pra tentar reconstruir nosso vinculo, farei o mesmo. Não vou mentir dessa vez que sentirei saudades, muito menos que fará alguma diferença em minha vida, pois a verdade é que já não faz, e isso faz tempo, na realidade não importa o quão primordial eu diga pra mim mesma que você foi, pois é exatamente isso, você foi, e isso faz tanto tempo, que há alguns meses atrás, quando houve um pequeno abalo em sua mente, e você se tocou dos meus sentimentos por você, eu estava envolvida sentimentalmente com outro garoto, e eu lhe entendi pela primeira vez. Entendi o quão difícil é você desconversar sobre seus sentimentos, com alguém que já foi significativo pra você, com alguém que você considera, e conta sobre sua vida, é difícil você dizer que está escolhendo outra pessoa, você deveria dizer o que? "Sinto muito"?
Bem, escolhas não são fáceis. Me lembro de ter escolhido o garoto que "conhecia" a 1 ano e meio, ao invés do único garoto que acredito que um dia amei, foi ai que eu vi, a diferença entre a possibilidade, que era ele, e a impossibilidade que sempre foi você. Talvez tenha sido nesse momento que houve o rompimento, que nosso vinculo se estilhaçou.
Hoje eu me pergunto, se realmente amei você, quando essa questão surge, eu paro. Prefiro pensar que sim, do que acreditar que nunca amei ninguém, é mais facil assim, menos solitario. Nunca pensei que diria isso, mas talvez, eu deva me desculpar com você. Sempre disse que lhe amava, mas não tenho certeza. A verdade é que nunca estive disposta a deixar nada nem ninguém por você. Me lembro de ter lhe dito, pra você curtir a vida, e parar de namorar um pouco, eu fui egoista, pois não foi por preocupação com você, e sim pois eu não gostava de lhe ver sendo feliz com nenhuma garota, e quando você fez o que eu lhe aconselhei, eu te deixei de lado. Você gostava de me contar sobre seus problemas familiares, eu ouvia, aconselhava, porém, eu não estava realmente preocupada, eu não me importava mesmo, e achava suas atitudes imaturas, mas eu mentia pra você, e lhe dizia o que você queria ouvir, pois eu sabia que se eu lhe disesse meus reais pensamentos você ficaria bravo e deixaria de falar comigo por alguns dias, e eu não queria isso. Você sempre foi um garoto da igreja, desde que lhe conheci, e sempre achei você um péssimo religioso, sempre te achei sem fé, mas eu nunca comentei nada, pois você era meio de lua, uma semana Deus era tudo, e na outra a cerveja, personalidade duvidosa essa sua. Você sempre estava reclamando, eu lhe fazia rir, pois gostava de fazer isso, em retribuição a época que você fazia isso por mim, e pra falar a verdade, eu estava ficando meio saturada do seu constante mau humor. Lendo o que descrevi sobre você, dá pra perceber que algo mudou, pois a uns 2 anos atrás, na época em que meus sentimentos ainda estavam no auge por você, eu nunca teria percebido isso. Isso me faz pensar, que devo realmente ter lhe amado, pois nunca precisei de você, mas eu gostava de pensar que sim. Acho que enfim estou liberta, de você, de meus sentimentos por você, não há mais vinculo, tenho vivido bem sem você, mas obrigada por aqueles dias em que você era o único que me fazia sorrir.

domingo, 21 de setembro de 2014

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Você disse que ultimamente eu pareço triste no que escrevo, mas não é bem assim. O melhor da vida eu não conto, apenas sussurro, só quem está muito perto vai ouvir. A felicidade deve ser segredo, guardada com cada um e só dividida em sorrisos silenciosos, que é pra ninguém roubar. Já a tristeza: dela temos que falar, escrever, gritar! Pra ver se ela desfaz na boca e ouvido dos outros, até que ela ande por todos os cantos da cidade, volte cansada e sem lugar pra ficar.

Bruno Fontes.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Só eu sei...


Hoje não é um daqueles adoráveis dias que vou acordar, me arrastar até a frente da TV embrulhada em um cobertor, e assistir desenhos animados com aquela xícara de Nescau preparada por minha mãe. Sem Nescau, sem desenho, sem meu irmão ao lado, nada disso. Hoje eu acordei as 5:15, enrolei o quanto pude, ou seja, alguns minutos, fingindo que mais 5 minutos mudariam algo, levantei meio atrasada, me arrumei e sai correndo pra pegar o ônibus, ir a universidade, depois estágio, a noite estudar de novo, e quando eu chegar finalmente em casa, desmoronar na cama, pra repetir a rotina até sexta-feira. Rotina, odeio essa palavra, lembro-me quando depois da escola não havia nada planejado, nada de preocupações e responsabilidades.
As tardes em que eu e meu irmão íamos reclamando comprar pão para o café, se eu pudesse faze-lo todas as tardes novamente faria, mas dessa vez, sem reclamar. Lembro vagamente de quando minha mãe me obrigava a comer, achava que eu estava muito magra e ficaria anêmica. Bem, eu nunca fiquei anemica como pensavam, tive pneumonia recentemente, vi o desespero nos olhos dos meus pais,  e deve ter sido o que me motivou a resistir, quem diria que o que me deixaria doente seria minha rotina. Um professor, me disse a alguns dias, que quando o filho fica doente, o médico tem que medicar os pais e não apenas o filho, o que  acredito ser verdade, pais são pais, e acho provável que eles sejam o motivo de estar aqui relatando estes fatos.
Lembro das tardes em que sentávamos na área de casa, conversa vamos, riamos e tomávamos nosso chimarrão. Seria ótimo ter algum tempo pra isso, além do fim de semana mas com pouco tempo ou não, ainda seguimos essa tradição, só que assistindo seriados, eu e minha mãe. Ao menos nós duas a mantemos.
Era ótimo fazer só coisas agradáveis, mas o mundo é cruel, e colocou cada um de nós em uma posição diferente. Minha mãe trabalha o dia todo, está sempre cheia de problemas embora tente manter o sorriso pro mundo e ela seja uma alma realmente alegre, eu sei que ela chora, sofre por cada injustiça, por cada palavra, pelas escolhas erradas que fez ou que nós fazemos, e eu não posso fazer nada, apenas ser forte por ela. Meu irmão, não sei, desde que começou a namorar não foi o mesmo, e agora que casou, eu nem o reconheço, fica difícil olhar pras suas inúmeras faces e dizer qual é real, as vezes penso que nem mesmo ele sabe. Meu pai, a pessoa com personalidade tão parecida com a minha, me assusta com sua imprevisibilidade, as vezes temo ficar como ele.
Há momentos que me pergunto se os tempos já foram bons... devem ter sido, as vezes são, porém rápidos como um flash, eles se vão, e os dias complexos voltam.
  Família é algo complicado, cada um tem a sua, ou não tem, e desejaria ter. Mas quem tem, sabe, cada uma tem suas individualidades e problemas. A minha teve muitos.
Quando as pessoas nos conhecem, acham incrível nossa sintonia. O que tenho a dizer sobre isso? Só quem esteve no meu lugar sabe.
Dizem que Deus não te dá uma cruz maior do que você consiga carregar, então devo ser peso pesado.
Quando o desequilíbrio bater, quando as cordas que te prendem ao chão se desatam, quando suas estruturas começarem a ruir, e você não se achar forte pra sobreviver e impedi-los de naufragarem, feche os olhos, e ore, foi o que fiz.
Surtos, gritos, moveis quebrados, objetos rachados, papeis pra todos os lados, loucura.
Loucura.
Essa é a palavra pra aquela época em que tudo se iniciou, em que tive que aprender a sobreviver, a ser forte, a aguentar calada.
Quanto mais calada eu ficava, mais barulhenta minha mente ficava, eu estava apenas tentando ignorar o que acontecia em minha volta. Fingir que não era minha realidade, que eu não precisava estar nela. Más era minha vida, ninguém pode vive-la no meu lugar.
A insanidade toma conta, e você não consegue mais prever um dia da sua vida. Tive muito medo. Aprendi a ouvir musicas em um volume que tornasse possível ouvir o que acontecia em minha casa, passei a assistir alucinadamente pra ocupar a mente, fugir da minha realidade. Não funcionava, pois naqueles fins de semana quando ele trazia problemas, quando ele era um grande problema, eu sabia, que seria mais uma daquelas terríveis noites, haviam gritos, broncas, batidas, e eu voltava a ficar com muito medo.
Sabe do que eu tinha mais medo, do que da insanidade que era o estado mental do meu pai? Medo do que ele faria com meu irmão, ou até com minha mãe. Aprendi a sair do quarto e assistir a loucura que havia se tornado minha vida, aquela vida que eu adorava, que me parecia tão boa e normal. A vida que eu nunca mais tive.
Aprendi a ser forte, a ser louca quando necessário, já que todos pareciam estar se arrastando e tentando juntar seus pedaços antes que a loucura voltasse. Porque nós sabíamos que ela nunca se ia, ela sempre estava ali, nele, armando a próxima emboscada para nós. Mas meu irmão estava bêbado demais pra fazer algo, minha mãe sempre foi sensível demais, e acabava chorando quando deveria assumir o controle, e eu... bem eu tentei manter todos vivos, inteiros. Não sei se deu certo, não mesmo, pois cada um sabe do seu interior, e se eu que sempre fui a menos vulnerável, não fiquei bem, imagine eles.
Tem coisas, que você nunca esquece, nunca vou esquecer aquele tempo. Se fosse possível faria, mas faz parte de quem sou, ser corajosa é uma das minhas grandes qualidades. Uma qualidade involuntária, descobri que ela surge nos momentos de necessidade, não por você querer.
O que é insanidade? Pra mim, é quando nada esta sob controle,  eu odeio não ter as coisas sob controle. Essas coisas que começaram a nove anos atrás, lembro como se fosse hoje, cada etapa. Obrigada Deus, por ter me feito forte pra supera-las, sempre que uma crise volta, eu respiro fundo, pois em algum momento passará. Só é preciso paciência.
Admito que as vezes fico indignada com a visão que as pessoas tem de quem é insano, com a maneira que acreditam ser, ou quando me perguntam como é. Bem, só vivendo pra saber. As coisas são assim, ninguém sabe de ninguém, pois cada um tem sua própria vida, e ainda assim, persistem no erro de achar que sabem.
Não posso eu dizer que sei sobre alguém, ou a vida dele, e vice versa. O grande fato é que, todos temos nossos problemas, mas existe diferença entre aqueles que querem descontar em meio mundo, e os que conseguem enfrenta-los sozinhos, sem deixa-los transparecer a todos. Qual a necessidade de ser um coitadinho? Penso eu ser muito mais gratificante ser a pessoa que quando alguém descobre o que você passou, pensa que você é um herói por carregar um sorriso no rosto todos os dias, sem se lamentar. Ninguém gosta de coitadinhos, mas o herói... ah desse todos gostam, e muito. Então, obrigada a minha família por serem heróis, todos nós. Por viver em um mundo insano com um sorriso no rosto, e os problemas na mochila, pois afinal nós somos adultos, não podemos mais agir como crianças.