domingo, 25 de janeiro de 2015


Velhas feridas


Minha visão tem estado turva, não tenho me permitido ver as coisas como realmente são.
Mas eu as sinto. Como pedaços de cacos de vidro perfurando, penetrando bem fundo.
Fecho os olhos pra conter o grito de dor preso em minha garganta.
Sinto elas caírem, salgar meu rosto, minha vida, como se todo aquele mar de lagrimas salgadas penetrassem minhas feridas.
Uma dor laceante.
Feridas novas e velhas, pulsam.
A pulsante dor que amargura minha alma como fel.
Tenho retirado esses cacos, tenho limpado minhas lagrimas, pra evitar que doa tanto. Mas, não pude, não dessa vez. Eram tantas.
O estrago é enorme e aparente.
Vim construindo essa pequena muralha em volta de minha alma. Aos olhos nus, ela era intocável e indestrutível.
Com os anos, ela foi atingida, houve guerra e feridos ao redor, ela teve sua estrutura abalada mas permaneceu.
Mais anos se passaram, o mal tempo veio, como sempre, mas dessa vez, ele permaneceu.
Agora, é tarde, o mau tempo corroeu a muralha, e hoje ela despenca como um castelinho de areia.
Vulnerável.
Esta é a descrição de minha alma.
Quando você perde tudo.
Tudo de valoroso, quando sua dignidade se vai, junto a sua vontade.
Como se perdoa? Como se perdoa quando você esta tão amortecida pela dor que não sente?
Como se lavam das almas as magoas? Como se constrói boas memórias? se sua mente foi dominada pelas ruins.
Como se sobrevive nessa tempestade? Como posso eu ser presunçosa pensando em concluir coisas com toda essa instabilidade?
Cansei de reconstruir minhas defesas, de tentar evitar o desastre e a dor. Se é disso que o mundo se constitui, devo parar de resistir.
Deveria abandonar esse último e único sentimento?
Devo eu deixar minha fé se esvair como todo o resto?

domingo, 18 de janeiro de 2015


-Bruno Fontes (tumblr)

"A luz do pôr do sol é filtrada pelas persianas e refletida no vidro no chão, projetando desenhos rosados sobre as paredes. Tal serenidade está fora de sintonia com meus sentimentos. Não consigo forçar-me a recolher os pedaços do espelho. Tanto foi quebrado hoje. Foram tantas coisas que eu nem sei como começar a consertar todas elas."
Atrás do espelho. (pg. 191)