Não vou esquecer esse ano nunca.
Passei cinco anos da minha vida esperando por este ano. Sim esse que foi quase um desastre total. Mas não vou esquece-lo. Afinal ele foi muito melhor do que esperava. Me surpreendeu. E me mudou tanto.
Eu vivi durante os últimos cinco anos, aquela mesmice. Cumprir horários, estudar, trabalhar, limpar e sair. Virou costume. Parte do dia a dia. E nesse tempo eu ansiei por esse ano. Por terminar tudo, jogar a rotina no lixo e lidar com uma nova realidade.
Bem... as coisas não correram como planejei.
Fiz uma lista de convidados para formatura, acabou que risquei metade, acrescentei um ou outro. Nem todos foram, mas quem foi não vai esquecer tão cedo.
Planejei meu par, deu errado. E o par improvisado foi o melhor que eu poderia ter.
Juro que tentei aprender a andar naquele sapato com aquele salto grande, não deu certo, e depois de meia hora eu queria usar o salto para me matar de tanta dor que eu sentia. No final do baile estávamos todos disputando quem estava com o pé mais sujo. Sapatos, para que afinal?
Fiz trajetos, para alguns lugares que deveria ir, devo ter revisto eles umas três vezes. Me perdi em todos. E alguns que não pesquisei antes eu achei de primeira.
O pneu do carro furou, mas eu continuo sem saber trocar um pneu.
Disse a mim que faria algum exercício, não deu certo. Passei o ano todo intercalando entre banco do computador e minha cama.
Fiz uma meta para ler todos os livros que possuo e não li, seriam dezoito. Acabei baixando cinco livros em pdf e os lendo, e li outros cinco apenas, dos que possuo. E agora são mais que quatorze não lidos na estante.
Ia terminar de escrever coisas que estão inacabadas. Acabei assistindo aos mais de setecentos episódios de one piece, somando com mais uns vinte animes que vi, e não terminei de escrever nada. Mas os seriados estão em dia.
De acordo com o tempo que tive livre, eu iria aprender a tocar violão esse ano, não toquei nele nem pra tirar o pó.
Tentei encontrar um emprego, continuo desempregada.
Coloquei ponto final em assuntos que nunca deveriam ter existido, mas eles insistiram em me infernizar até os últimos meses do ano.
Desliguei o telefone na cara de umas pessoas, bloqueei outros, desbloqueei e ainda dei presente de natal.
Percebi que tem momentos ruins, que servem para unir aqueles que nunca deveriam ter se afastado.
Aprendi o que é amor a primeira vista, quando segurei meu sobrinho no colo pela primeira vez. E meu medo do olhar dos bebês foi embora, juro! afinal ele sempre está me encarando.
Aceitei que a vida te dá algo, e também tira. Quando o Pudim morreu, um mês depois do meu sobrinho vir ao mundo.
Briguei, tentando evitar brigas.
Me afastei, tentando encontrar paz.
Mudei alguns pensamentos meus, para aliviar o peso nos ombros.
Afastei todos que disseram que eu mudei, e queriam a antiga eu. Quem decide quando é necessário mudar, sou eu.
Chorei de felicidade, e de tristeza.
Contei moedas, juntei dinheiro mesmo sem ter salário e nos fim fui em mais festas do que quando eu tinha emprego.
Não lembrava de ter planejado tanta coisa para esse ano, até notar tudo o que eu não cumpri.
Sei que muita coisa deu errado.
Nada foi como eu planejei.
Coisas horríveis aconteceram... falecimentos, brigas, perdas, crises...
Da mesma maneira como coisas lindas ocorreram.
Consegui me decepcionar e me surpreender
E tudo isso significa apenas que eu estou viva.
Obrigada Deus.
Por ter me dado a chance de acordar mais e mais um dia.
Por me permitir ver o sol nascer e se por.
Por poder ouvir a minha cãozinha reclamar de fome, mesmo estando acima do peso.
Por me dar a capacidade de me mover perfeitamente, permitindo que eu possa segurar o meu sobrinho super gordo no colo, até que ele cresça possa se mover por conta própria.
Por me fazer sentir tudo.
Quando chorei até me esgotar, ou quando ri até doer.
Por o único momento que precisei ir ao hospital esse ano, ter sido porque meu mais novo amor nasceu, lindo e saudável.
Eu posso não ter cumprido minhas metas.
Mas eu fiz algo muito mais importante.
Eu fui feliz, sem dinheiro, com pouco dinheiro, com minha família, sem ela, com meus amigos, sem eles, com minha cachorrinha, nunca sem ela, com planos, ou sem.
Eu vivi, o máximo que pude, o quanto pude, e com as melhores pessoas, sem dúvida.
Então que 2017 seja bem vindo.
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