sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Adeus amado

Tem vezes, que o dia não acaba sem antes levar um pedaço de nós. Ontem foi um desses dias.
Ontem, não houve chimarrão, nem seriado, risos e conversas. Ontem eu larguei o jogo no meio de uma partida. Ontem não foi só o jogo que eu quis largar, queria largar toda essa dor que tinha me acertado em cheio em alguma esquina qualquer.
Ontem, você nos deixou. Ontem sua dor acabou e a saudades que você deixou já se instaurou.
Sei que da próxima vez que eu for na casa do meu irmão não vou te ouvir chorar por atenção. Não vou dar de cara com você na porta, logo após ter pulado a cerquinha por ouvir nossas vozes. Sei que quando eu for além da cerquinha você não vai pular em mim sujar meu moletom pra ficar abraçado como você fazia. Não vou te ver pulando de um muro até o outro, fazendo sentido algum.
E isso vai me doer  tanto. Mais do que pensar no fato de que você não existe mais.
Minha memória sempre foi péssima, mas você sempre foi tão incrível que eu lembro de tudo sobre você.
Lembro que você passou mal no carro no primeiro dia que veio para casa. Que era um bebê chorão, então eu sentava na garagem com você, e você adormecia no meu colo. Você apanhava da neguinha, ela era a menor dachshund que já vi em minha vida, e você apanhava. Não só dela, mas da Lumi filhote e da Pitú. Eu sei que não por você ser fraco, mas sim por ser bom. Porque eu também já vi você bater em 5 cães grandes de uma vez facilmente.
Lembro de um dia que ouvi gritos, quando fui ver, meu irmão disse que você fugiu e uma senhora gritou desesperada por socorro escondendo o cãozinho dela.
O mundo é injusto né? Com você ele sempre foi. Logo com você que era uma bola de pelos cheia de amor para dar.
Talvez não seja o câncer que tenha lhe matado, e sim essa droga de mundo injusto que te rotulou como assassino sem nem te conhecer, quando tudo o que você queria de todo o mundo era carinho, atenção e passar um pouquinho de todo esse amor que você sempre transbordou.
Eu falei tão bem de você, para tantos amigos. Eles queriam te conhecer, agora é tarde demais.
Como a gente descobre? Que talvez seja tarde demais amanhã? Como a gente aceita isso?
Por que é que logo você tinha que ter câncer? Logo o cão mais doce que conheci em toda minha vida.
A única coisa que me conforma, é que seu sofrimento se foi. É melhor assim.
Eu sei que meu coração vai entender isso em algum momento da vida.
Obrigado por ter sido esse cãozinho tão amoroso e bonzinho, mesmo que por tão pouco tempo.
Sempre vamos te amar Pudim.

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