Em algum momento eu passei a associar cores a você.
É como se, tudo o que você representou pra mim fosse colorido, e então como uma tela de tv estragada, meu filme colorido ficou preto e branco.
Então eu simplesmente saio colorindo tudo, como se eu pudesse de alguma maneira mascarar meus sentimentos cinzas.
Eu respiro, pauso, tento não sentir, pra conseguir falar uma frase sobre você. É tão difícil, é como segurar um monte de areia com as mãos, por pouco tempo é possível até começar a cair por entre os dedos. Por isso falo pouco, pra eu ter pouco pra segurar, pra eu conseguir.
Essa semana foi aniversário da sua mãe, ela disse pra mim que está feliz, eu sei que é mentira, ela disse isso pois sabe que sou um castelinho de areia se segurando pra não desmoronar o que sobrou.
Eu não consigo tirar o galo que você me deu daqui do lado da cama, eu já não consigo pensar em nada pra colocar no lugar, ele tá a tanto tempo ali que esqueci o que tinha antes.
Será que o colorido é por causa da caixinha de percevejos coloridos que você me deu? Ou por tudo o que você me deu e disse que era minha cara ser colorido?
E mesmo assim eu te desenhei na minha parede como um balão escuro. Porque como se eu fosse um fantoche me agarrando a poucos balões coloridos que me impedem de cair, a vida te colocou num lugar escuro onde não pode mais me segurar, nem colorir minha vida.
Espero que numa próxima vida, eu tenha a sorte de te reencontrar, e viver com você por dezenas e dezenas de anos.
Eu espero, só espero, já que não tem nada mais que eu possa fazer, apenas espero enquanto escrevo pra você, enquanto espalho cores que contam sobre você.
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