terça-feira, 24 de agosto de 2021

Portas

 Faz meses que não falo com você.


Eu penso em você com menos frequência.

E isso é o melhor pra mim. Tenho que pensar em mim já que você não fará isso por mim mais.

Eu vi sua mãe, ela viajou pra cá e foi ficar lá em casa num sábado. Você sempre me visitava em sábados, caramba que saudades de você.

Ela me contou a verdade, a verdade que sempre quis saber sobre sua morte, e eu demorei por medo. Medo de doer mais.

Eu senti raiva de você quando soube, pensei em mil maneiras que poderiam ter evitado que nos te perdessemos. Mas no fim, bem no fundo, eu sei que eu acredito em destino e esse era seu trágico destino, e conviver com isso é nossa dolorosa sina.

Estou em São Paulo, lembrei de você. Do dia que brigamos você pegou o último voo e apareceu lá no meu quarto.

É engraçado, portas me lembram você, olho pra elas achando que você poderia entrar por elas a qualquer momento.

Mas eu sei que você nunca mais vai voltar, e eu simplesmente sinto sua falta.

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