quinta-feira, 8 de março de 2018

Disparada


Foi o Halloween? não esse, aquele. Um copo, dois copos, três, quatro, cinco? quantos? era funk? pagode? não, não, lembro bem. Sertanejo, fim de open, pista semi vazia, eu e o copo, cantando sem saber, dançando sem se importar. Foi aquele momento? aquele minion, me fez pensar "por que não?". Não, não deve ser esse dia. Foi o tombo do touro mecânico naquele outro? ou o moço encantador que beijou minha mão do nada enquanto me soltava um elogio? pode ter sido, naquele outro lugar, com aquele outro grupo, perdi meu anel, e não consegui encontrar, o papo legal com o moço bonito que não sei o nome. Foram meus companheiros de sono, quantos foram? quais deles em quais dias? adormecer com eles ou ser acordada por eles talvez. As pinturas? as pulseiras, escritos, canetas, trocas de números, risos,segredos, opiniões, copos, abraços com desconhecidos que deixam de ser desconhecidos? Não, sei lá. Pode ser que sim. Já sei! foi definitivamente aquele dia, aquela insistência, a perseguição, a obtenção, o pedido, seu nome, seu numero, mentiras, promessas. Os gêmeos? os primos? os amigos? pouco demais pra ser. Nada demais pra ser tanto. Então é obvio não? foi aquele carnaval. Não esse,esse não. O anterior, brincadeiras bobas, bichinhos de sobras, a louça, os assuntos, a ilusão, confusão, decepção, frustração, magoa. Uma maré me empurrando para cada lado, e não digo do dia legal de natal com a pessoa que me magoou e resolveu me dar um dos melhores momentos naquelas ferias ruins. A garoa, o frio, correndo, rindo, o campo largo e algo mais, a beira da pedra, em frente ao mar, a honestidade cheia de areia e ondas contrarias. Porém esse foi só um dos impulsos, da minha nova realidade inconstante. Não o gatilho, o inicio foi outro. O jantar, as bebidas, o baralho de uno, aqueles áudios, minha preocupação, o inicio da minha insanidade. Conhecer ele, na madrugada, foi o beijo sei que foi, não sei nem porque fiz, eu nem queria. Sim, eu sei, foi isso, esses impulsos se acumulando, aparecendo com mais frequência. Se repetindo, por meses, nas madrugadas frias e divertidas. Essa confusão de estar dividida, se sentir culpada, mesmo sem ter obrigação. Foi aquele dia, perto do dia da prova, apos meus estudos compartilhados que passaram longe de ser estudo. Voltando e chorando ao som do rádio, por ter notado, pela primeira vez, que não fazia ideia mais do que estava fazendo, de quem era, ou o que deveria fazer. Quando foi? o inicio, eu não sei. Mas o momento que percebi toda essa minha nova inconstância acelerada, foi esse. Eu sei que foi. No entanto, é difícil, parar. Como se para? Mais copos,mais confusão, brigas, adeus, retornos, fins, lagrimas,beijos,confusão, mentiras, mais tinta, musica, muita muita, danças desengonçadas, olhos fechados, deixando tudo pra lá, nada importa, tudo importa, arrependimentos, frustrações, risos longos, sorrisos espontâneos, memorias, historias, afetos e desafetos. Minha nova eu, minha nova vida inconstante acelerada nada previsível e viciante. Percebo, não importa o gatilho, o que importa, é que estou vivendo.

Nenhum comentário: