sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

- Nimue? - falei de novo. Dessa vez seu nome ficou preso em minha garganta porque tive certeza de que ela devia estar morta, mas então vi suas costelas se mexerem. Ela respirou, mas afora isso permaneceu tão imóvel como se estivesse morta. pousei Hywelbane e estendi a mão para tocar seu ombro frio e branco. - Nimue?
Ela saltou na minha direção, sibilando, mostrando os dentes, um olho era uma órbit
a lívida e vermelha e o outro estava revirado de modo que aparecia apenas o branco. Tentou me morder, me gadanhou, soltou uma praga numa voz gemida e depois cuspiu em mim, e em seguida foi com as unhas longas na direção dos meus olhos.
- Nimue? - gritei. Ela estava cuspindo, babando, lutando e tentando morder meu rosto com dentes imundos. - Nimue!
Ela xingou de novo e pôs a mão direita na minha garganta. Tinha a força dos loucos, e seu grito cresceu em triunfo enquanto os dedos se fechavam na minha traqueia. Então, de repente, eu soube o que tinha de fazer. Peguei sua mão esquerda, ignorei a dor na garganta e pus minha cicatriz em cima da dela. Deixei-a ali; deixei-a ali; não me mexi.
E muito lentamente, a mão direita em minha garganta enfraqueceu. Lentamente seu olho bom se revirou, de modo que pude ver de novo a alma luminosa de meu amor. Ela me olhou, e depois começou a chorar.
- Nimue - falei, e ela passou o braço pelo meu pescoço e se agarrou a mim. Agora estava soltando enormes soluços que sacudiam as costelas finas enquanto eu a abraçava, acariciava e falava seu nome.


As Crônicas de Artur - O Rei do Inverno
(volume I - pg. 372\373)

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