- Entendo que é possível olhar nos olhos de alguém - ouvi-me dizendo - e de súbito saber que a vida será impossível sem eles. saber que a voz da pessoa pode fazer seu coração falhar, e que a companhia dessa pessoa é tudo que sua felicidade pode desejar, e que a ausência dela deixará sua alma solitária, desolada, e perdida.
Ela ficou quieta durante um tempo, apenas me olhando com uma expressão ligeiramente perplexa.
- Isso já lhe aconteceu, Lorde Derfel? - Perguntou enfim.
Hesitei. Sabia quais eram as palavras que minha alma queria dizer, e sabia as palavras que minha posição deveria me fazer dizer, mas então disse a mim mesmo que um guerreiro não florescia com a timidez, e deixei que a alma governasse minha língua.
- Nunca aconteceu até este momento, senhora - Foi necessário mais coragem para fazer essa declaração do que eu jamais necessitara para romper uma parede de escudos.
As Crônicas de Artur - O Rei do Inverno
(volume I - pg. 456\457)
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